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SEMANA ENTENDENDO O TDAH

Page history last edited by Geane Poteriko 7 years, 1 month ago

 

Semana Entendendo o TDAH

 

11 a 15 de Maio de 2015


 

 

Os principais sintomas, as mais recentes descobertas científicas, os mitos e verdades deste Transtorno Neuropsiquiátrico que é o mais comum da Infância e da Adolescência são apresentados pelo neurologista infantil, Dr. Clay Brites, em vídeos curtos e com linguagem simples e clara a todos os públicos.

 

Dr. Clay Brites – Neurologista Infantil, um dos Coordenadores da NeuroSaber,

comunidade interessada em aprendizagem, neurodesenvolvimento e comportamento.

 

 

 

 

 


 

 

O QUE SERIA O TDAH?

 

Aproximadamente 6% das Crianças e dos Adolescentes apresentam TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. É importante considerar, neste contexto, que estas crianças e adolescentes com TDAH podem estar mais próximos do que imaginamos, precisado de ajuda.

 

O TDAH é o Transtorno Neuropsiquiátrico mais comum da infância e da adolescência, responsável por um grande impacto social incluindo abandono escolar, entre outros problemas como drogadição, acidentes e outros prejuízos.

 

“Precisamos mobilizar a sociedade através de conhecimentos científicos que sejam dados em uma linguagem clara e também com muita aplicabilidade prática.” Esta é a proposta do Neurologista Infantil, Dr. Clay Brites. Na “Semana Entendendo o TDAH”, esse especialista disponibilizou alguns vídeos explicando o que é o TDAH, que muitas pessoas não sabem ou possuem informações equivocadas a respeito.

 

Mitos, as mais recentes descobertas científicas e dicas de como atuar com estas pessoas em casa, nas escolas e na clínica foram abordados nestes vídeos. O médico especialista ressalta que “é importante a participação e divulgação para as famílias, escolas, prefeituras e colegas da área clínica”. Afinal, esta iniciativa é considerada pelo próprio Dr. Clay Brites como “inédita”, uma oportunidade de se ter acesso a conhecimento de alto nível que poderá fazer a diferença na vida de um filho, amigo, aluno ou paciente.


 

- VÍDEO 1: QUAL A DIFERENÇA DE AGITAÇÃO E HIPERATIVIDADE

 

 

 

O diagnóstico correto é o primeiro passo quando se aborda a questão do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Após o diagnóstico, trabalhar de forma multidisciplinar com crianças com TDAH é o necessário.

 

No entanto, a carência de informações relativas ao TDAH é muito grande.

 

A princípio, um dos pontos fundamentais para o diagnóstico correto diz respeito à presença, nas consultas com o neuropediatra, de vários profissionais junto com os pais, tais como pedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos, o que é um grande diferencial. Desse modo, compartilhar informações que resultam em um elo multidisciplinar dentro do consultório. Com esta interação, é possível proporcionar o que todos procuram: um melhor resultado com diagnóstico feito de forma mais consistente. E, assim, permite-se que a FAMÍLIA seja colocada como um pilar no processo de diagnóstico e condução das crianças.

 

Segundo o Neurologista Infantil, Dr. Clay Brites, uma das principais dúvidas do TDAH é como diferenciar uma AGITAÇÃO esperada para a idade de uma agitação que atrapalha o desenvolvimento e o desenrolar ambiental dessa criança, o que é chamado de Hiperatividade.

 

A hiperatividade é um dos sintomas que caracterizam o TDAH. Por isso, pergunta-se:

 

- Como diferenciar uma agitação normal de uma agitação anormal?

 

Para responder a esta pergunta, vamos primeiramente entender a definição de Hiperatividade: Caracteriza-se como uma atividade motora inapropriada e excessiva para a idade e em relação dos seus pares dentro da mesma idade e do mesmo ambiente.

 

O hiperativo tem dificuldade em manter o ritmo, a persistência e o controle de seus movimentos e ações. Em uma linguagem simples, cai mais, se machuca mais, vive ralado, costuma cometer sempre os mesmos erros e demora muito para aprender a corrigi-los. Não aprende com o erro. Ou seja: você fala, repete e explica todos os dias, mas a criança não muda suas estratégias para aprender e corrigi-las. As crianças hiperativas parecem não escutar, não se concentram e parecem não aprender o que você fala. Em diálogos, parecem que ficam “suspensas”. Têm excessiva curiosidade, mas nada as interessa por muito tempo. Incomodam os que interagem e a cercam. Cansam pais por centralizarem a todo momento sua atenção e energia. Demoram para cumprir metas que exigem reforço mental prolongado e deixam tudo para depois. Relutam para cumprir regras e rotinas e têm dificuldades para terminar e cumprir tarefas cotidianas sem que haja contínua cobrança de seus cuidadores, independente da idade. E, no dia seguinte, tudo se repete.

 

Esperar, reavaliar, rever situações são decepcionantes para os hiperativos: isso leva-os a consequências como irritação, agressão, ficar emburrados, chorar e explodir com frequência. São avessos às frustrações e incomodam até que seus desejos sejam realizados. São inquietos, mexem-se o tempo todo, fazem movimentos inúteis durante qualquer atividade, e chegam a “cansar os olhares” de quem os observam, pois incomodam, xingam, e mexem demais com quem ou o que estiver ao seu redor.

 

A desorganização é um marco associado a este quadro: perdem, esquecem, se desgastam precocemente, bagunçam, derrubam, apresentam dificuldades de organização espacial e motora para dar conta de tarefas com seus materiais a serem utilizados. Se algo for muito interessante, esta criança quer fazer logo, de qualquer jeito, mas se for monótono e difícil, protela, não termina, é como dizemos popularmente: “é 8 ou 80”.

 

Uma criança hiperativa quer sempre fazer tudo muito rápido, pula etapas, salta os detalhes para logo se empenhar em algo que lhe chama a atenção. Portanto, pode-se dizer que uma criança e adolescente com hiperatividade vive errando mais: quebram mais, levam mais broncas que os demais, se tornam o centro das críticas, ficam mais de castigo, apanham mais. Por outro lodo, fazem amizade com todos e são mais populares. No entanto, acabam sendo poucos aqueles que os toleram, pois falam demais, se intrometem, respondem antes das perguntas terminarem, concluem antes de darem sua opinião. Querem fazer tudo de uma vez só, e nada fazem direito por ser quase tudo feito “à prestação”. Se não bastasse, e a noção de tempo? Nem pensar: eles têm dificuldade em estimar, prever, prevenir, se adiantar e se antecipar para dosar adequadamente as etapas que virão. Toda atividade que exige prazo ou sequência, fracassam em prever a conclusão, mesmo durante um simples diálogo ou tarefa de grupo.

 

Agora, junta-se todos estes “ingredientes”, as dificuldades acima mencionadas com outras dificuldades, como problemas em manter um sono regular, se alimentar adequadamente, cuidar de si mesmo, ou mesmo atraso para adquirir as etapas do desenvolvimento motor e de linguagem. Além de tudo, devido a tudo isso, há um baixo rendimento para atividades que exigem um esforço mental prolongado, alto engajamento para tarefas sem recompensa imediata, com prejuízos gerados nas relações familiares e escolares, onde os pais e professores acabam ficando exaustos e até mesmo destruídos por não saberem o porquê desta situação que vem ocorrendo com a criança.

 

E desde os primeiros anos isso já incomoda. A dúvida é: será isso uma simples agitação normal da idade ou uma hiperatividade?

 

Sem dúvida, é hiperatividade. O mais importante é percebermos que este comportamento anormal deve ocorrer nos mais variados ambientes: em casa, na escola, na igreja, nos centros de educação infantil, enfim, na maioria dos lugares.

 

Os prejuízos também se avolumam em todos os lugares aonde essa criança vai, e reflete, assim, uma certa incapacidade que essa criança tem de controlar seus impulsos, quando este controle é extremamente necessário e prioritário, independente das exigências dos outros.

 

Muito frequentemente, associado a esta hiperatividade, vem a falta de atenção, o que é chamado de Déficit de Atenção, principalmente para atividades que são importantes e significativas naquele momento, naquele prazo determinado, e é reflexo da excessiva dificuldade que essas crianças têm em evitar a distração. Ou seja: qualquer estímulo inútil interfere no que é mais importante, no essencial e prioritário, e reduz assim a eficácia de atenção para o cumprimento de qualquer tarefa. E isso se reflete, portanto, em suas atividades: a criança começa a ter lentidão, não percebe os detalhes, passa batido pelos erros, cansa fácil frente às etapas mais difíceis, parece surda, inclusive as mães e familiares reclamam muito disso e chegam a levar as crianças para especialistas em otorrinolaringologia antes de consultar com o neurologista, pois acha que não ouvem direito. Enfim, crianças com déficit de atenção não se auto analisam a cada coisa que falam ou escrevem, aborrecem-se ao sofrer interferência de alguém ou de uma autoridade. Mesmo dando limites, tendo controle do ambiente, estas crianças persistem em repetir seus fracassos, acham-se burras, culpadas, e que jamais alcançarão os objetivos que almejam. No consultório, é comum essas crianças chorarem durante as consultas.

 

Pode-se considerar estas atitudes como normais?

Agregando a isso, há mais três sinais que precisam necessariamente estar associados a este processo. São sinais importantes, que podem auxiliar muito esta diferenciação de uma agitação normal da idade de uma hiperatividade, como um sinal do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que são: desenvolvimento da linguagem, ou seja, uma criança de 1 ano e meio, 2 anos, que não fala e tem um atraso, isso não é imaturidade, e é um sinal que pode estar frequentemente associado. Outro é o desenvolvimento motor, aquela criança que demora para andar, demora para dar os primeiros passos, demora para adquirir aprendizagens motoras, ou mesmo aquela que começa a andar muito rápido, até de forma surpreendente, também deve chamar a atenção. E, por fim, o desenvolvimento adaptativo, que é quando a criança tem dificuldade de aprender interagindo com o ambiente, que são dificuldades com rotina, regras, e com atividades esfíncteres, por exemplo.

 

As informações são muitas, é importante, em sequência, abordar os mitos que existem sobre o TDAH, e esclarecer o que ele é e significa na vida das pessoas. A troca de informações sobre TDAH pode fazer a diferença e impactar uma realidade.

 


 

- VÍDEO 2: OS 5 MITOS DO TDAH

 

Conceitos, dicas práticas e informações acerca do TDAH para pais, profissionais da saúde e educação, professores, a fim de finalmente entender o TDAH desde o diagnóstico até o tratamento. Isso é importante para a melhoria da prática profissional, pedagógica e até mesmo da dinâmica familiar para lidar com pessoas que têm este transtorno.

 

Há alguns mitos que são muito comentados sobre TDAH que devem ser analisados. A princípio, é importante entender o conceito de mito.

 

Os mitos eram narrativas dos povos antigos com o objetivo de transmitir conhecimento e explicar fatos que a ciência não havia explicado. Por meio de cerimônia, danças, sacrifícios e orações, estes povos tentavam explicar fenômenos. Um mito também pode ter uma função de manifestar alguma coisa de forma mais forte e explicar temas porventura desconhecidos até aquele momento, tornando assim o mundo um pouco mais conhecido e familiar ao ser humano. Portanto, mito é uma forma de explicação de algo que não tem respaldo científico.

 

No entanto, o estudo do TDAH não pressupõe mitos pois trata-se de um transtorno estudado desde o início do século passado, há mais de 100 anos, e que tem hoje, depois de todo esse tempo, uma imensa literatura comprovando cientificamente a sua existência, tudo aquilo que ele é e o que ele representa.

 

Seguem abaixo os MITOS sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade .

 

- 1º Mito: Toda criança com TDAH é hiperativa. Não, este é um mito muito comum, 20 a 30% das crianças com TDAH não são agitadas excessivamente, não são hiperativas, são crianças quietas, tímidas, inclusive introspectivas, inclusive apresentam dificuldades de socialização por serem tão quietas. E, na sala de aula, em casa, essas crianças não dão trabalho, mas são extremamente distraídas e desatentas, levando a um baixo rendimento em tarefas do cotidiano e também no rendimento escolar.

 

- 2º Mito: O TDAH é um problema de comportamento gerado pelos pais ou cuidadores. Não. O TDAH é um transtorno neurobiológico herdável, é gerado por problemas genéticos, na sua imensa maioria. 80 a 90% dos casos o TDAH são gerados por problemas bioquímicos de mal funcionamento no cérebro.

 

- 3º Mito: Toda criança com TDAH tem problemas de aprendizagem escolar. Não, 20 a 25% das crianças com TDAH não apresentam problemas de aprendizagem escolar. Ou apresentam problemas pontuais de rendimento, ou de comportamento na escola e outras questões relacionadas, mas que não afetam diretamente a sua aprendizagem.

 

- 4º Mito: O TDAH é um transtorno inventado para vender remédios. Este é um dos mitos mais relevantes que Dr. Clay Brites afirma que vê. O TDAH existe como ciência, como transtorno desde o início o século passado, quando surgiram as primeiras publicações em 1902. As medicações que surgiram, que porventura foram pela ciência descobertas como úteis para o tratamento dessas crianças, só foram surgindo há mais ou menos nas décadas de 50 e 60. Isso é muito importante explicar porque muitas pessoas acham que médicos receitam essas medicações para crianças com TDAH como se fossem algo apenas para resolver problemas pontuais na escola, mas isso não é verdade. As crianças e adolescentes com TDAH são tratadas porque elas apresentam problemas sociais, problemas afetivos, problemas no seu relacionamento com o mundo, com as demandas do mundo, e também inclusive porque apresentam problemas dentro do sistema escolar.

 

- 5º Mito: As medicações para TDAH viciam, dopam e são como drogas que vão modificar e vão atrasar o futuro dessas crianças. Não, esse mito não existe, não possui fundamento nem científico nem na prática clínica onde se vê essas crianças sendo medicadas e sendo avaliadas, dentro do sistema escolar ou em clínicas. É importante deixar claro que as drogas utilizadas para o tratamento de crianças com TDAH não são drogas para acalmar essas crianças. Elas são medicações utilizadas para melhorar o nível de concentração, o nível de atenção. São estimulantes cerebrais. Não há lógica neste mito. Quando uma medicação especial para crianças com TDAH é receitada, ou qualquer outro problema de comportamento, se o medicamento “dopa”, significa que ela atrapalha o desenvolvimento da criança no dia a dia, atrapalha seus movimentos, faz a criança ficar sonolenta excessivamente, leva a problemas relacionados à consciência que a criança tem de seu mundo. As medicações para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade não fazem isso. São medicações que ajudam essas crianças a se organizarem, se anteciparem, melhora o nível de concentração e autonomia para atividades que exigem prazo, sequência e memorização de detalhes. Como uma medicação dessa natureza poderia dopar uma pessoa? Como essa criança reagiria na escola, em casa, se essas medicações realmente dopassem? Dr. Clay Brites afirma que muitas testemunhas que trabalham com ele na clínica e na escola dizem que é exatamente o contrário, então não há nenhuma lógica em dizer que essas crianças ficam dopadas. Outra questão é se a longo prazo esses remédios acabam deixando a criança viciada ou vão fazer com que essa criança se envolva futuramente com drogas como a cocaína ou mesmo com maconha. Dr. Clay Brites explica que não há lógica neste tipo de suposição, muito pelo contrário. Artigos científicos mostram que o tratamento adequado do TDAH com medicações estimuladoras protege a criança e o adolescente de se envolverem com más companhias, situações de delinquência e reduzem o risco, assim como reduzem o risco dessas crianças se envolverem com drogas lícitas ou ilícitas.

 

Assim, os mitos mais comuns em relação ao TDAH são esclarecidos.

Ao final do vídeo, há alguns artigos indicados para leitura, que justificam as explicações de cada um dos itens abordados no vídeo.

 

 

- RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

 

- Desempenho escolar e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade

 http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n6/324.html

 

- Influência do déficit de atenção e hiperatividade na aprendizagem em escolares

http://www2.pucpr.br/reol/index.php/PA?dd1=4603&dd99=view

 

- Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na Vida Adulta e Funções Executivas: uma revisão teórica

http://fvj.br/revista/wp-content/uploads/2014/08/4.-saude.pdf

 

- Notas sobre a história oficial do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade TDAH

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000100005

 

- Efeitos colaterais do metilfenidato

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol31/n2/100.html

 

- Metilfenidato: influência da notificação de receita A (cor amarela) sobre a prática de prescrição por médicos brasileiros

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832003000100002&lng=pt&nrm=iso

 


 

- VÍDEO 3: COMO FAZER O DIAGNÓSTICO MULTIDISCIPLINAR

 

Fazendo uma retrospectiva sobre a “Semana Entendendo o TDAH”, o médico neurologista infantil Dr. Clay Brites explica que com o objetivo de fornecer conceitos, dicas e informações práticas sobre o TDAHTranstorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, foi criada esta série com 3 vídeos exibidos durante a semana, realizada no período de 11 a 15 de maio de 2015.

 

No terceiro e último vídeo, o diagnóstico multidisciplinar é abordado. Com relação ao diagnóstico de TDAH, muitas pessoas questionam sobre como unir a família, os profissionais e as escolas no processo de fechamento do diagnóstico. Quais testes, questionários, escalas de avaliação podem orientar e ser utilizados com tranquilidade tanto na área clínica quanto pedagógica.

 

Uma das perguntas mais frequentes é como diferenciar o TDAH do Transtorno do Espectro Autista. Esta questão gera uma curiosidade muito grande, pois é fundamental diferenciar um transtorno do outro, já que no processo de diagnóstico do TDAH estes dois transtornos podem estar envolvidos. É importante diferenciar ambos tanto em uma situação clínica quanto pedagógica.

 

Geralmente, os primeiros profissionais que detectam que alguma coisa não anda bem com a criança são os professores, por isso eles têm que possuir uma formação muito aprofundada sobre como detectar precocemente estes dois tipos de transtornos, especialmente o TDAH, sabendo diferenciar o comportamento esperado para o comportamento não esperado para a idade, o quadro pedagógico e cognitivo esperado do não esperado. Nesse sentido, um bom relatório escolar já seria um grande passo.

 

O relatório escolar é, segundo Dr. Clay Brites, fundamental para dar o primeiro passo no processo de suspeita e no fechamento do diagnóstico dessa natureza. O problema é que dentro do consultório, o especialista se depara com a dificuldade dos professores em fazer estes relatórios, e isso não é por falta de vontade, mas sim porque não foram treinados e tão pouco preparados para isso. Na formação dos educadores essa é uma enorme lacuna.

 

Dessa forma, para a preparação de um relatório escolar, são três as áreas que devem ser abordadas e levadas em conta no processo de escrita de um relatório escolar. Primeiro, os conteúdos acadêmicos: qual é o nível de leitura, escrita, conhecimento aritmético, qualitativo e quantativamente, como está esta criança nestes aspectos? Segundo, o relacionamento entre esta criança e seus amigos, professores e autoridades da escola. Terceiro, como esta criança lida com as adequações à rotina, regras e prazos do processo acadêmico, que é um processo estruturado e formal?

 

Na esteira deste processo de diagnóstico, além dos professores, o papel dos fonoaudiólogos é muito importante, pois podem usar instrumentos de avaliação de linguagem, de avaliação específica da estruturação fonológica, semântico- pragmática da linguagem etc, bem como aspectos do discurso da criança, processamento auditivo e também avaliações mais finas e aprofundadas em relação à decodificação grafo-fonêmica. Estes instrumentos ajudam muito no processo de diagnóstico do TDAH.

 

Nesse processo, soma-se também os psicólogos, que podem fazer uma avaliação dessas crianças do ponto de vista emocional e do ponto de vista cognitivo, a descrição da inter-relação da criança com os pais e pares e também a avaliação neurocognitiva, neuropsíquica lógica cognitiva específica, ajudando com determinadas escalas ou métodos que avaliam memória de longo prazo, memória de curto prazo, atenção sustentada, atenção seletiva, funções executivas e também observando como se faz toda a interação durante os processos diagnósticos dentro do consultório com a aplicação de testes.

 

Os TOs, terapeutas ocupacionais, também podem ajudar, contribuindo com a análise de como essa criança se comporta frente a situações que exigem comportamento adaptativo, como essas crianças resolvem atividades práxicas sequenciais.

 

No papel dos psicopedagogos, dentro desse processo, estes podem avaliar qualitativamente e quantitativamente o nível pedagógico dessas crianças, como é feita a construção do processo de aprendizagem, expondo, dentro dessa avaliação, a identificação das maiores dificuldades, os déficits do desenvolvimento pedagógico e as lacunas que essa criança ainda vem apresentando em toda a formação sequencial da aprendizagem escolar.

 

Os pais, por sua vez, são “a pedra angular” de todo esse processo, os quais devem ser amplamente questionados quanto ao desenvolvimento da criança, os aspectos pré-perinatais, dar informações sobre a história familiar da criança, do lado do pai e do lado da mãe, uma vez que o TDAH é um transtorno altamente genético. Dar informações até mesmo da gestação, assim como informações dos primeiros anos de vida, desenvolvimento motor, adaptativo, sócio-pessoal, da linguagem, do comportamento global da criança, em casa, nas festas, nos encontros familiares, enfim, uma anamnese direcionada para queixas principais que os pais apresentam no consultório, levantadas tanto por eles quanto pelos parentes e pela escola.

 

O processo diagnóstico do quadro clínico e pedagógico do TDAH é amplo, complexo, incluindo ainda os 5 constructos teóricos neuropsicológicos que explicam o transtorno (não abordadas neste material), que dão uma explicação mais ampla da funcionalidade e de como existe este processo disfuncional ao mesmo tempo no comportamento e na aprendizagem da criança.

As cormobidades, que são os outros transtornos que podem acompanhar p TDAH, como autismo, transtorno obsessivo compulsivo, tics, transtornos de aprendizagem, transtorno positivo desafiador, transtorno de ansiedade, ou seja, condições funcionais e neuropsiquiátricas que também atrapalham o portador de TDAH.

 

Outra coisa muito importante é o uso das escalas de avaliação, que podem ser usadas pelas escolas, pelos profissionais, médicos ou não médicos, enfim, os vários tipos de tratamentos, farmacológicos ou não, o que funciona ou não funciona no tratamento dessas crianças dentro das evidências científicas, as dificuldades de alfabetização, leitura, escrita, coordenação motora, também sobre TDAH na fase da adolescência e na fase adulta, que apresentam algumas particularidades nessas fases de vida específicas.

 

Por fim, Dr. Clay Brites aponta que muitos pais dão depoimentos que mostram o que o conhecimento pode fazer na vida das pessoas. São inúmeras famílias que precisam de orientação, escolas que não sabem mais o que fazer e como lidar com os alunos chamados de “problemáticos” ou “preguiçosos”, incluindo ainda os profissionais que têm receio de dar diagnósticos pelo fato de trabalharem sozinhos, sem uma equipe multidisciplinar, não porque querem, mas porque a realidade coloca-os dessa forma.

 

O conhecimento neurocientífico pode melhorar muito o processo de aprendizagem das nossas crianças. Somente por meio do conhecimento é possível realizar o processo de inclusão na nossa sociedade. Uma inclusão não só educacional, mas sim uma inclusão que comece primeiro na detecção precoce destas crianças e problemas relacionados neste tema, permitindo diminuir o impacto de problemas que podem ocorrer na escolaridade e também oportunizando uma educação de qualidade desde o começo, permitindo também o crescimento deste indivíduo com oportunidades na vida adulta, como adultos produtivos e integrados socialmente.

 

No cenário amplo, nota-se que são muitas as crianças e mães que alertam a escola, dizendo algo específico sobre algum problema, assim como mães dizendo que esperavam um pouco mais do sistema educacional, uma vez que o filho é “uma criança diferente”, com dificuldades de aprendizagem por ser “imatura”. Ao mesmo tempo, são inúmeras as escolas que solicitam a presença dos pais e estes não dão a devida atenção e importância achando que as dificuldades de seus filhos poderiam ser algo natural, ou simplesmente o “jeito da criança”, apenas parte de sua personalidade. Ou ainda, profissionais que recebem essas crianças e dizem que estas “não têm nada”, que a escola que a encaminhou ao especialista possui uma série de outros problemas... No entanto, no meio deste cenário, a pessoa que mais sofre é a mais importante: a criança. Nota-se o processo e a relação entre pais, escolas e sociedade que não compreendem a criança, e o maior prejuízo recai sobre ela mesma - a criança - que vai se transformar em um adolescente e depois um adulto possivelmente problemáticos. Questiona-se: o que será dela?

 


 

 

 

Alguns pontos importantes sobre o TDAH

 

- Processo diagnóstico nos adolescentes e adultos.

- Como a escola pode auxiliar seus alunos diagnosticados com TDAH, o uso de mecanismos pedagógicos que podem melhorar a atenção, concentração, memória de trabalho.

- Suporte adequado para a escola que poderá atuar com crianças com dificuldades escolares.

 

Observação: Encerrando a série de vídeos, Dr. Clay Brites apresenta a proposta de um curso: “Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Da avaliação ao tratamento numa perspectiva interdisciplinar”, com carga horária de 40h.

 

 

- Esclarecimentos sobre o Autismo: Trata-se de uma dificuldade de interação e compartilhamento social, apresenta comportamentos repetitivos e interesses restritos em determinados assuntos, independente do contexto. O autismo traz prejuízos no aspecto social e na capacidade de flexibilizar interesses de acordo com os interesses pessoais do indivíduo. É um transtorno que leva prejuízo nos primeiros três anos de vida (a criança autista, por exemplo, não aponta para algo, não faz contato visual etc). A característica da linguagem, atraso de fala é muito importante neste quadro, a criança pode regredir na fala.

 

Já o TDAH tem um tratamento mais fácil em relação ao autismo, a medicação responde melhor com intervenções comportamentais, enquanto no autismo não, pode melhorar alguns sintomas mas o prejuízo de interação social permanece.

 


 

Referências

 

http://neurosaber.gpages.com.br/semana-entendendo-o-tdah/?video1

 

http://neurosaber.gpages.com.br/semana-entendendo-o-tdah/?video2

 

http://neurosaber.gpages.com.br/semana-entendendo-o-tdah/?video3

 

 

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