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"A bola de papel"

Page history last edited by Geane Poteriko 11 years, 6 months ago

ARTIGO: Professora Geane Poteriko                     EM: 17/03/2009

- RELATO EM SALA DE AULA -

 

A BOLA DE PAPEL


 ´¨*.¸¸.«»-(¯`´¯)-»».¸¸.*¨`´

( `.¸ Semeie flores...¸.“´)(¸.´

`.¸ ) colherá o perfume.¸.“´)(¸.´

( `.¸ Semeie o carinho...¸. “´)(¸.´

`.¸ ) colherá a amizade.¸. “´)(¸.´

( `.¸ Semeie sorrisos...¸.“´)(¸.´

`.¸ ) colherá a alegria.¸. “´)(¸.´

( `.¸ Semeie a verdade...¸. “´)¸.“´)

`.¸ ) colherá a confiança.(¸. ´¸.“´)

( `.¸ Semeie a vida...¸.“´)´¸.“´)

`.¸ ) colherá milagres. “´)´¸.“´)

( `.¸ Semeie a fé...¸. “´)(¸.´

`.¸ ) colherá a certeza.¸.“´)(¸´

( `.¸ Semeie o amor...¸. “´)(¸.´

`.¸ ) Colherá a felicidade!¸. “´)(¸.´


 

O que é uma bola de papel? (por Geane Poteriko)

  

                É, simplesmente, um papel amassado em bola. Entretanto, esta simplória bola de papel pode, em determinado contexto, possuir inúmeros significados. E, agora, tentarei expor um de seus significados, tendo como base uma situação criada em sala de aula, em uma de minhas turmas de Inglês de 8ª série, no dia 16/03/2009.

                A princípio, tem-se uma situação cotidiana de escola: uma turma de 8ª série, com alunos adolescentes, mistos, de diferentes idades e perfis, rebeldes, questionadores, muitas vezes inconvenientes, e que se manifestou, desde a primeira semana de aula, como uma turma... vale dizer, “problemática”? Não... Apenas uma turma mais difícil de trabalhar, que exige do professor metodologias mais diversificadas e um “pique” que não possuímos todos os dias, mas que buscamos momento a momento, antes de entrar em uma sala com tais características.

                Agora, passemos à situação em foco: uma mudança de turma. Alunos com seus materiais escolares, deslocando-se para outra sala, haja vista o não funcionamento do aparelho de televisão de sua própria sala (abrindo aqui um parênteses, esta é uma situação que vem se repetindo cada vez mais no sistema público de ensino: a tecnologia, que foi inserida na realidade escolar para facilitar e melhorar o trabalho docente, apresentando problemas, a longo prazo, os quais não são sanados devido à lentidão do sistema público de ensino – mais um paradoxo da educação brasileira...)

                Mas, voltando à questão em foco: a mudança de sala. A princípio, tudo feito organizadamente, com o auxílio do inspetor de alunos e da professora regente. Porém, ao chegar em ambiente novo, diferente, surge a situação-problema:

                - Teacher! O aluno “X” acertou-me esta bolinha de papel na cara!...

                Algazarra geral. Uns conversam, outros sentam. Outros, tentam chamar a atenção de sua teacher (coisa normalíssima!)... E o aluno “Y”, que por sinal é chamado pela classe de “Let’s Go!” por usar frequentemente esta palavra durante as aulas de Inglês, mais uma vez se indigna:

                - Teacher! O aluno “X” acertou-me esta bolinha de papel na cara!...

                - Hey! People! Class! Everybody! Boys and girls, please! Pay attention here! (discurso diário da professora: Ei, turma... alunos... garotos e garotas... por favor! Prestem atenção aqui...)

                E nada...

                - Please! Silence now! (nota-se aqui um tom de voz mais elevado).

                Silêncio total! E a teacher continua, na tentativa de resolver a situação-problema criada entre os alunos “X” e “Y”.

                - Quem é o aluno “X”? Please, come here!

                (Bem, aqui preciso abrir novo parênteses. O que se passa na cabeça de um professor exatamente neste momento? Na hora de chamar a atenção, perante a classe, para uma situação tão banal, mas que posteriormente pode transformar-se em motivos para brigas, picuinhas, discussões e, consequentemente, desvio da atenção à disciplina de Inglês?... Bem, tentarei, aqui neste parênteses, expor meus pontos de vista.

                Consideremos alguns aspectos:

1)      A antiga situação-problema ocorrida nesta turma: o aluno “Z”, há exatamente uma semana atrás, retira de seu material escolar um celular, começa a manuseá-lo em sala e a tirar fotos das meninas da turma. A teacher lhe chama a atenção. Nada. A teacher solicita que este guarde o aparelho de celular. Nada. A teacher lhe dá duas opções: ou ele entrega o celular, para ser guardado e depois devolvido, ou deverá retirar-se da sala, ir para a coordenação pedagógica, e somente voltar a assistir as aulas da disciplina em questão após fazer um relatório de conteúdo ou com a presença do pai ou responsável. E o aluno se levanta e diz: “Bye-bye Teacher!”... Zombando, “tirando uma mega onda” da cara da professora... ou seja: “Eu faço oq eu quero, teacher! Eu sou mais eu, eu não preciso de você, eu sou o bam-bam-bam... etc!” ... isto ficou claramente subtendido nesta frase, irônica e malvada: “Bye-bye Teacher!”... E a turma... risos! Risos! Risos! ... “Nossa, a teacher quebrou a cara!” “É isso aí, aluno “Z”, tá certinho!” “Adorei o que você fez” “Ihuuuuuu.... IPI IPI urra! É isso ai!”... e assim sucessivamente.

2)      Após esta situação aparentemente desagradável -  que apenas um professor pode compreender, e ainda somente um professor que já passou por uma situação parecida é capaz de saber o quão desagradável é -  a teacher tenta reestabelecer o controle da sala, mas... fica cada vez mais complicado. Então, a alternativa é avisar à equipe pedagógica sobre o ocorrido e solicitar providências, conforme prevê o Regimento Interno do Colégio.

3)      Entretanto... antes mesmo que a teacher conseguisse sair da sala e passar a situação adiante, acontece mais uma situação-problema, duplamente desagradável: em defesa ao aluno “Z”, a turma coloca um apelido “carinhoso” na teacher... “Gina”... Bem, em todo este contexto, fica óbvio que este apelido simplesmente possui uma conotação totalmente, com o perdão da palavra, “”sacana”. Por quê? Bem, depois de bater de frente com o aluno queridinho da sala, com o bam-bam-bam, e fazê-lo retirar-se da sala, seria possível a mesma turma apelidar carinhosamente, com boas intenções, sua teacher de “Gina”? Certamente, não! A única alternativa neste caso, caros leitores, que resta a este pobre professor, a esta poor teacher, é... levar na brincadeira. Mas, ao questionar outros professores sobre o que provavelmente poderia ser esta “Gina”, a que este apelido se refere indiretamente, tive a cruel resposta: “Gina foi um ex-aluno da escola, homossexual, com hábitos desagradáveis, e o que é pior, sem costumes de higienização corporal adequados, a ponto de ser uma pessoa desagradável, mal-cheirosa, e... enfim, acho que já deu pra entender, neh? Então, a teacher pensa: “Oh my Godness!” O que eu fiz de errado? Estudei 4 anos de graduação, passei por todas as dificuldades que todo estudante universitário passa (falta de dinheiro, contagem seletiva de moedas para ônibus e lanche, noites em claro sem dormir, estudando) e ainda “penei” mais um ano cursando uma pós graduação, e ainda sofri para conseguir uma boa classificação no concurso público do estado para hoje estar aqui, com as melhores intenções, tentando passar um conhecimento integral e cumprindo meu juramento de professora: “Eu juro... ensinar com amor, formar cidadãos e blá blá blá...” para hoje ser chamada malvadamente de “Gina”?!? Bem, não vou mais me prender a detalhes... prezado ler, você coinsegue, no entanto, entender o que se passou em meu interior, em minha auto-estima, em meu ego até então profundamente abalado? Espero que sim!

4)      Enfim... A diretora entra em cena e aparentemente resolve a situação-problema com esta turma de 8ª série. E quando, finalmente, a teacher acredita que poderá desenvolver uma boa aula com seus students, com material diversificado, utilizando a TV Pendrive, com imagens criativas e interessantes... Poxa vida! Acontece... a bola de papel... voa... e surge neste cenário!)

Agora posso (finalmente!) sair deste parênteses e voltar ao foco da questão.

A bola de papel.

- Teacher! O aluno “X” acertou-me esta bolinha de papel na cara!...

                - Hey! People! Class! Everybody! Boys and girls, please! Pay attention here! (discurso diário da professora: Ei, turma... alunos... garotos e garotas... por favor! Prestem atenção aqui...) (E nada...)

                - Please! Silence now! (nota-se aqui um tom de voz mais elevado).

                O que fazer neste momento?

                Bem... não há mais a menor condição de a professora (ou a diretora, ou as pedagogas da escola) passarem maão! Seria total perca de tempo! Então... surge um click, uma luz, uma idéia. Algo aparentemente inadequado, talvez até severo demais, mais, será que isso funcionaria?

                Então, a teacher pede sil6encio total, a classe finalmente escuta (escuta, porque eles até já tinham ouvido, mas não havia escutado rsss) e a professora começa a desenvolver seu “plano em busca da perfeita paz e do reestabelecimento do clima positivo em sala de aula, propício para o aprendizado eficaz:

                - Aluno “X”, please, come here!

                - O que, teacher?

                - Eu pedi por gentileza para você vir aqui na frente, perante seus colegas.

                Silêncio geral. O aluno “X” se recusa. A professora, então, lhe expõe suas opções: ou faz oq eu lhe foi solicitado, ou deverá ser encaminhado á diretoria onde lhe serão aplicadas as sanções previstas para casos de desrespeito aos colegas... por ter acertado uma bola de papel no aluno “Y”.

                Ele aceita. E a professora diz:

                - O que é isto? (apontando para a bolinha de papel). Você deverá explicar, em inglês, o que é isto, por que você a acertou em seu colega, e ainda se está politicamente correto ou não este tipo de atitude. Todos esperam. A sala está ansiosa para ver a atitude do aluno.

                Como este ainda (por n               ão ter sido bom aluno o suficiente, em 6 anos de aulas de inglês no Ensino Fundmental, para aprender a expressar-se em inglês, utilizando-se apenas palavras básicas do English vocabulary) mostrou então dificuldade excessiva em falar em inglês o que lhe foi solicitado, a teacher pede que ele a repita, em inglês, as seguintes frases: “Isto é uma ‘bola de papel’, isto não é um material escolar, eu peguei isto e joguei na cara do meu colega, mas esta atitude não é correta, e por isso eu estou aqui agora, “pagando este mega-mico”, na frente de todos os meus amigos”... Tudo in English!

Bem, acho que não preciso mencionar que a classe toda caiu num riso só. Esta situação, a princípio malvada, acabou se tornando um molde para ensinar a necessidade do respeito mútuo entre si, e ainda o significado de “nunca faça com o outro aquilo que não desejo que façam comigo!”.

Parece que o aluno “X” aprendeu a ter um pouquinho, ao menos, de respeito para com os colegas e a professora. O aluno “Y”, bem, este deve ter-se sentido defendido plenamente... O aluno “Z”, do celular, este nem esta mais freqüentando as aulas, talvez porque seu interesse não seja estudar, aprender inglês, mas apenas tirar fotos das gatinhas da sala...

Mas, o aluno “X”, no fundo, no fundo, sentiu um pouquinho de vergonha. Alias, literalmente falando, sentiu muitaaaaa vergonha. Tanto que, em casa, mais tarde, envia a sua teacher, no Orkut (que a professora mantém como um canal aberto de diálogo mútuo – e respeitador – com todos os seus alunos!) o seguinte recado””Qual é a tua, de tirar com a cara dos seus alunos?”

Confesso que, quando eu li este recado, ri. Ri tanto que não fui capaz de responder este scrap à altura.

- Qual é a minha? Tirar com a cara dos meus alunos? O que eu posso dizer a uma turma (digo “turma” no coletivo porque é realmente coletivamente que as situações negativas para com a disciplina de Inglês foram criadas)... Uma turma que me desrespeita, que me apelida de “Gina”, que não mostra interesse em aprender de fato um segundo idioma, que mostra apenas uma forte, uma imensa, uma gigantescaaa vontade de perturbar a professora, deixar-lhe zangada, fazê-la “sair do salto”?!? e o aluno “X” ainda me pergunta, no Orkut, irado, zangado, magoado, qual é a minha?

Coitadinho deste aluno!

Ou seria... coitada da professora!?!

Depois de tudo que relato a você, leitor desta, não sei como encerrar minha história. História com “H”mesmo, porque é verídica, aconteceu de fato, e acontece todo dia, em todas as salas de aula, com professores que se dedicam ao máximo, estudam, ganham pouco, sofrem, e querem ao máximo ensinar, transmitir conhecimentos, e recebe em troca, na maioria das vezes, palavras ríspidas, apelidos, xingamentos, desrespeito toral!

O que esperar de alunos com este perfil? O que esperar da educação com estes alunos “X”? O que esperar deste país com cidadãos incompletos, que de nada entendem sob=bre cidadania?

Deixo aqui o meu APELO. Pais, eduquem seus filhos. Isso não é obrigação do professor. Filhos, ouçam seus pais. Alunos, tenham o mínimo de respeito para com seus professores. É um apelo apenas, a única maneira que eu, uma professora de Inglês, tenho para manifestar minha revolta, mágoa, e tristeza para com a realidade educacional do nosso país.

“Se não morre quem escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão não morre o educador, que semeia a vida e escreve na alma”.

É com esta frase, tão adequada a situação que descrevo neste artigo, que encerro.

Alunos “X”, creio que eu não precise responder a seus scraps diários, perguntando qual é a minha! “A minha” é ser professora, na English Teacher, é semear a vida, escrever em suas almas, tentar repassar-lhes conhecimentos, valores, laços de amizade e formação profissional. Mostrar-lhes o que é ser cidadão, o que é saber ouvir, e calar, saber ouvir, e falar, ser gente neste “mundo-cão”. Seres humanos... ser: humano. Apenas.

Esta é “a minha”!

E a “bola de papel”? O que é mesmo uma bola de papel?

Esta é tão-somente uma metáfora, uma analogia que tentei utilizar para vocês, alunos “X”, sacarem de cara “qual é a minha”...

 

_.:♥:._ Teacher Gєαиє Pσtєяїkσ _.:♥:._

 


 

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