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TCC - MULTIPLICIDADE DE INTERPRETAÇÕES DA IMAGEM FOTOGRÁFICA

Page history last edited by Geane Poteriko 8 years, 5 months ago

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

 

 

ANDRÉIA VASCONCELOS FARIAS

 

MULTIPLICIDADE DE INTERPRETAÇÕES DA IMAGEM FOTOGRÁFICA:

 

USO ARTÍSTICO, PUBLICITÁRIO E CIENTÍFICO


 

Trabalho apresentado como requisito parcial para conclusão do curso de Aperfeiçoamento em Mídias Integradas na Educação da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

 

Orientadora: Profª Geane Aparecida Poteriko da Silva.


 

 

1. IDENTIFICAÇÃO

 

1.1. AUTORA: Andréia Vasconcelos Farias

 

1.2. CONTEXTUALIZAÇÃO

 

O presente trabalho apresenta uma atividade em desenvolvimento, aplicada no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, pelos professores das disciplinas de Arte e Física, em um projeto interdisciplinar que contempla a integração das mídias informática e impressa, no trabalho com a fotografia.

 

Busca-se, assim, uma multiplicidade de interpretações da imagem fotográfica, sob a ótica do uso artístico, publicitário e científico, a ser repassado aos alunos a partir das atividades aplicadas em sala de aula. Possibilitando aos educandos a leitura da fotografia, para que possam se interessar pelas histórias que elas contam além da sua beleza, para que entendam o fazer fotográfico como motivo e inspiração, no aspecto artístico (como os trabalhos de Sebastião Salgado, disponíveis em: www.guia.uol.com.br), publicitário (como os trabalhos de Richard Avedon, disponíveis em: www.http://fotografeumaideia.com.br ) e científico (trabalhos ligados à produção científica de Steve Gschmeissner, disponíveis em: www.visualphotos.com/). 

 

O projeto oferece aos professores instrumentos didáticos para a iniciação dos alunos nos procedimentos da pesquisa científica (observação, experimentação e registro) e mostra, com exemplos concretos e adaptáveis às realidades locais, como planejar a implantação de projetos educativos e de alcance social na comunidade em que a escola está inserida. Da feliz articulação entre a mídia impressa e a informática veio a inspiração para o projeto, juntando a obra e a poética do trabalho de fotógrafos profissionais com um diagnóstico das questões de ensino aprendizagem, e o que há de inovador nas formas de aprender e atuar na sociedade – interdisciplinaridade (arte e física), uso de multimeios,  metodologias de projetos, interatividade avaliação continuada.

 

Mais que repassar a necessidade de trabalhar com interdisciplinaridade, o projeto espera contribuir para despertar nos alunos a responsabilidade individual em relação às questões sociais locais e mobilizar a escola e a comunidade para ações educacionais de ensino aprendizagem relevantes.      

 

Considerando tais aspectos, deve-se ressaltar primeiramente o contexto das áreas em questão, Artes e Física, que se complementarão por meio do trabalho interdisciplinar com a fotografia.

 

Nesta perspectiva, sobre a disciplina de Artes, é preciso destacar que a história do ensino da Arte no Brasil é marcada pela dependência cultural, e o fruto dessas produções é o barroco, que veio de Portugal e se instalou no Brasil em forma de oficinas. Um espaço de artes e ofícios onde o ensino era realizado por um mestre com experiência nessas atividades artísticas, sendo a única forma de passar este ensino na época.   

 

Aqui chegando, a Missão Francesa já encontrou uma arte distinta dos originários modelos portugueses e obras de artistas humildes. Enfim uma arte de traços originais que podemos designar como Barroco brasileiro. Nossos artistas, todos de origem popular, mestiços em sua maioria, eram vistos pelas camadas superiores como simples artesãos, mas não só quebraram a uniformidade do barroco de importação, jesuítico, apresentando contribuição renovadora, como realizaram uma arte que já poderíamos considerar como brasileira. (BARBOSA, 1994, p.19).

 

A trajetória do ensino da Arte não deve se distanciar do discurso realizado pela história da Arte no Brasil, pois o ser humano é um fruidor de símbolos, signos e significados culturais. A escola e seus educadores precisam acompanhar as linguagens do mundo, o artista produz conceitos artísticos para espaços de Arte, a escola deve promover uma relação com tudo que ocorre fora dela e incentivar seus alunos a adquirirem gosto por atividades artísticas.

 

Já a Física, no ambiente escolar contemporâneo, intitula as contradições desse período, pois vivemos em um momento imediatista, onde as pessoas precisam de justificativa para tudo que realizam. Buscam motivações para suas relações diárias, e o ambiente escolar precisa dialogar com este contexto, que envolve de um lado a relação com a técnica, do outro questões de comportamento e vivências em ambientes de paisagens artificiais. O ser humano procurando artifícios para intervir em ambientes ou criar espaços que nos aproximem da realidade virtual, projetando uma difusão retórica crescente de representações visuais da cultura e da sociedade em geral.

 

Enquanto a máquina fotográfica em sua essência trabalha com o contexto e mecanismo de registro, com suas lentes que procedem como a extensão dos nossos olhos e não os substituem, mas torna esses momentos, imagens interativas possíveis de leituras e releituras dentro de uma poética visual.

 

Segundo Turazzi:

 

O surgimento da fotografia, com a rápida expansão por todos os cantos do globo, a partir de meados do século XIX, forneceu aos homens e mulheres do período uma nova e revolucionária vivência do tempo e do espaço de sua própria inserção social. Até porque estas duas categorias inscrevem-se na especificidade da linguagem fotográfica de modo inseparável: a fotografia permite empreender uma dada exploração visual do espaço em estreita sintonia com a capacidade, até então inédita, de congelar e perenizar o tempo vivido. (TURAZZI, 1995, p.28-29).

 

Seguindo esse pensamento, observamos o processo fotográfico mudando do analógico para o digital, em um momento havia a espera do resultado (laboratório de revelação) sem saber muito bem como os produtos químicos agiriam sobre o papel fotográfico, esta técnica era muito cara e os resultados dependiam do olhar observador para que ficassem realmente boas. A fotografia digital veio trazer a solução tecnológica que viabilizou os desejos da Arte e das formas de olhar da sociedade.

 

No entanto, não se pode esquecer que os alunos desconhecem esta trajetória histórica desta técnica ou artística, o que pode ser levado para o contexto da sala de aula.

 

Se, por um lado, as novas tecnologias presentes na sociedade capitalista colocam cada vez mais em questão a importância da imagem em nosso tempo, por outro, a educação contemporânea tem nos indicado a necessidade de se buscar novas alternativas para despertar nos alunos a motivação e o desejo de aprender. Diante de todas essas metamorfoses, é preciso que a escola se transforme e possibilite ao aluno interagir com esses meios e que disponha de recursos e estratégias diferenciadas que possam atraí-los... (AGUIAR, 2010, p.325).

 

Neste conjunto, a disciplina de Física e a Arte contextualizam interdisciplinarmente seus conteúdos e motivam os alunos na apropriação de determinados conceitos e habilidades das duas áreas do conhecimento. Através da câmara escura, entender como a imagem se forma no campo óptico, compreender que muitas vezes nosso olhar vivencia ilusões, diz respeito à multiplicação lógica das paisagens ou espaços, formando a pluralização das perspectivas no espaço perceptivo, mesmo quando temos a relação efêmera com nossas memórias.

 

Aqui temos a integração entre dois universos normalmente vistos como estagnados: a tecnologia e o aprendizado na escola.

 

Portanto, conhecer, longe de ser mera assimilação do repertório de alguém, exige do apreciador um acervo e um esforço de interpretação da produção artística para vê-la como a expressão de um sujeito para outro e como uma mensagem a ser compreendida. (SCHILICHTA, 2009, p.32)

 

Com este mundo virtual ou ciberespaço do outro lado da janela precisa-se significar o aprendizado dos alunos na sala de aula. De um lado temos uma disciplina que é vista como supérfluo e diversão, do outro uma que muitas vezes dependendo da realidade dos educandos não se vê aplicabilidade no cotidiano. Hoje em dia o cotidiano escolar precisa se utilizar de outros recursos com maior apelo visual e dinamismo para prender a atenção do aluno ou fazer com que o mesmo foque no conteúdo,e dessa forma o presente projeto pretende proporcionar um trabalho diversificado, com a integração das mídias impressa e informática, aliadas à fotografia.

 

 

1.3. PÚBLICO ENVOLVIDO 

 

A atividade aqui relatada está sendo desenvolvida no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, de Pinhais, PR, pelos professores de Arte e Física, com os 22 alunos do 3º ano do Curso Técnico em Agropecuária.

 

Durante o desenvolvimento do trabalho, foi aberta a proposta para discussão e experiência de outras áreas, com apoio dos coordenadores de curso e direção escolar. 

 

1.4. INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS

 

Informática, Mídia Impressa e Fotografia.

 

 

1.5. PERÍODO DE REALIZAÇÃO DO PROJETO

 

Julho/Agosto/ Setembro/ Outubro de 2013.

 

 

2. PROBLEMA

 

“Como envolver a comunidade escolar tão heterogênea em trabalhos cooperativos, mediante um projeto de uso integrado das mídias impressa e informática, caracterizado pela co-autoria e que possa ser utilizado como estratégia de ensino e de aprendizagem, partindo do pressuposto  de Integrar  duas disciplinas da base comum, sendo que ambas procuram causar um  estranhamento no espectador e a motivação dos educandos quanto a apropriação dos conteúdos e desenvolvimento de determinadas habilidades interdisciplinares através da fotografia”.

 

Além disso, são propostos os seguintes questionamentos:Por que nossos alunos não conseguem relacionar os conteúdos apresentados em sala de aula com seu cotidiano? Como resolver a ausência de significado do aprendizado para alunos que vivem em regiões da zona rural? O que fazer para atribuir valor ao aprendizado de disciplinas totalmente distantes da realidade do trabalhador do campo?    

 

 

3. ABORDAGEM PEDAGÓGICA

 

A proposta de atividade irá fazer parte da feira de profissões que acontecerá em outubro no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, por meio de um projeto interdisciplinar no trabalho com a fotografia. Nesta ocasião, cada curso deverá mostrar as possibilidades de práticas dentro da área de maior concentração profissional.

 

Em reunião com a comunidade escolar para falar sobre o PDE Interativo e propostas de possíveis caminhos para se alcançarem as metas em relação ao ensino aprendizagem, a ideia é colocada como proposta para minimizar a evasão escolar e auxiliar os alunos com dificuldade de aprendizado, que não conseguem se apropriar dos conteúdos apresentados em sala de aula.

 

Segundo a equipe de professores, coordenadores de curso, equipe pedagógica e direção, existe um diferencial na proposta apresentada, uma vez que estará trazendo para a sala de aula uma mídia interativa que contextualiza o conteúdo junto à realidade do aluno.

 

A educação que parte da relação entre o aluno e seu meio, sua comunidade, é uma proposta de ensino que está entre nós desde a década de 1960, quando Paulo Freire expôs e experimentou com grande sucesso aquele que viria a ser o método que leva seu nome. Ou seja, o método em que o processo de ensino/ aprendizagem se dá na própria relação com o meio.   

 

Assim, para que este se dê concretamente e possamos ter resultados sociais mensuráveis, é preciso investir em atividades que levem a mudanças de atitudes, à formação de valores, de habilidades e procedimentos consequentes dentro de um determinado contexto.

 

Na atividade interdisciplinar as orientações metodológicas são as seguintes: pesquisa bibliográfica e abordagens com intervenções lúdicas comtemplando vivências em arte e física. A câmara escura foi construída com caixa de papelão com pequeno orifício em uma de suas paredes, este furinho foi coberto com plástico. A imagem que reflete no teto da caixa é a paisagem que está na frente do observador, mas de forma invertida. Outro experimento realizado foi a colocação de papel fotográfico no interior da caixa (em uma sala escura) e um adesivo impedindo a entrada de luz até a escolha da paisagem, que precisou de laboratório de revelação e produtos químicos para finalizar este processo fotográfico.

 

Esta atividade foi proposta buscando promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de aprendizagem, dando-lhes a oportunidade de tomar decisões e aceitar as suas consequências. Para tanto,foram utilizados diversos ambientes com a finalidade educativa e uma ampla gama de métodos para transmitir e adquirir conhecimento sobre o ambiente em que vivemos, ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais.

 

É necessário pensar que ensinar no contexto atual vai além de passar informações, porque o educando tem acesso a esse mundo de informações e só precisa de alguém que as processe de forma sucinta para que o mesmo consiga se apropriar desta realidade. Pignatari (2004, p. 20) relata que todo esse processo informacional e tecnológico ocorre a partir de nossas observações do meio, pois somos cercados pelo contexto semiótico. 

 

A análise semiótica ajuda a compreender mais claramente por que a arte pode, eventualmente, ser um discurso do poder, mas nunca um discurso para o poder. O ícone é um signo de alguma coisa; o símbolo é um signo para alguma coisa. Mas o ícone (...) é um signo aberto: é o signo da criação, da espontaneidade, da liberdade. A semiótica acaba de uma vez por todas com a ideia de que as coisas só adquirem significado quando trazidas sob a forma de palavras...(PIGNATARI, 2004, p. 20)

 

Considerando que a semiótica parte do pressuposto de que o diálogo com o contexto espacial é sem palavras, e que as informações são repassadas por imagens e objetos relacionados com suas memórias. O aprendizado é icônico e lógico, discutimos sobre o que vemos vivenciando nossas memórias através de experiências.

 

Nesse contexto, por meio do trabalho interdisciplinar com a fotografia, busca-se uma multiplicidade de interpretações da imagem fotográfica, contemplando a integração das mídias informática e impressa.

Para que a noção de interdisciplinaridade seja melhor compreendida e possamos ver como ela pode ser posta em prática, utilizando-se o material da mídia impressa (notícias de jornal, interpretações de textos e imagens, produção de textos que possam versar sobre o assunto), assim como pode ser explorada a redação de documentos, cartas aos jornais locais (fins publicitários), enfim textos que tenham uma função social efetiva.

Observando aspectos socioeconômicos, políticos, culturais e históricos nas abordagens apresentadas nas reportagens jornalísticas, considera-seainda que a forma como as pessoas se relacionam com o espaço físico onde vivem (respeito ou dominação) é determinante dos aspectos econômicos, culturais e políticos.

 

Podemos afirmar que qualquer paisagem é sempre produto de um processo evolutivo, onde os processos de transformação dos elementos físicos e sociais são seus principais agentes modificadores. Mesmo em lugares ou espaços onde se diz que o “tempo parou” apresentam mudanças sensíveis, se confrontarmos o lugar com fotos tomadas em épocas diversas.

 

Nota-se assim aspectos como o plantio de uma árvore, a construção ou demolição de uma casa, a mudança de comportamento e vestimenta das pessoas, o surgimento de novos veículos de informação, a modificação e a transformação da linguagem da mídia impressa realizam mudanças constantes, influenciadas ou não por condições sociais.   

 

Segundo as abordagens do Curso de Aperfeiçoamento em Mídias Integradas na Educação (online, 2013), o módulo de Mídia Impressa destacaque se pretende dinamizar a utilização de livros, jornais, revistas. A mídia impressa, durante muito tempo, foi a maior referência para o professor em sala de aula, sempre buscamos registrar nossas ações e aprendizados, e ainda é a realidade de muitas escolas onde as outras mídias ainda não chegaram. Sendo assim, a mídia impressa relaciona-se muito bem com a evolução da fotografia. A câmara escura aproxima os indivíduos dentro do contexto escolar ao observarem a formação de imagens dentro de uma caixa escura com o auxilio de conteúdos e habilidades de física e arte.

 

A história da fotografia se inicia com os estudos sobre óptica a partir de Aristóteles (384-322a.C.) quando este observa a imagem exterior projetada na parede de um quarto escuro, desenvolve-se com a invenção de aparelhos capazes de captarem a luz, como a câmera escura e se expande com a descoberta de materiais sensíveis e suportes capazes de reterem as informações luminosas. (PINHEIRO, 2008, p.1-2).

 

 A fotografia passou por transformações e vivencia um outro momento com a forma de registro digital. Desse modo, a informática veio nos aproximar da imagem instantânea, não precisamos esperar para ver o que já ficou preso na retina (campo óptico).

 

Levy (1992, p.135) relata a humanização das tecnologias, sugere que o espaço de aprendizado computacional aproxima as relações em olhares compartilhados, uma vez que dividimos tudo que observamos e nem sempre concordamos ou aceitamos as realidades observadas.

 

Segundo o autor:

 

... na comunicação a informação se precisa através do contexto e do sentido. Eles se interagem, tendo como preceito que o contexto é construído a partir do sentido e o sentido emerge a partir do contexto. Através deles que temos (…) lances decisivos no jogo de interpretação e da construção de realidade. (LÉVY, 1992, p. 21-36)

 

A informática veicula o diálogo entre as pessoas, e seu surgimento foi visto como um auxílio para nossas atividades básicas como leitura e cálculos. Também evoluiu trazendo experiências de contextos e sentidos divergentes das realidades e necessidades de cada um.

 

O processo de informatização na educação incorpora-se definitivamente no cotidiano escolar, avança gradativamente do uso solitário do diálogo do educador e dos livros, do xerox/ projetor de slides e das transparências, do rádio e da TV Pendrive,  do laboratório de informática com alguns aplicativos de texto/ imagem e internet, multimídia e lousa digital, buscando maior apelo visual e dinamismo.

 

O que caracteriza é a criatividade, ilimitada nos seres humanos, fomentadora de diferentes formas de vida e de expressões culturais. Essas construções culturais se transformam diversamente e, às vezes, grupos sociais criam soluções diferentes para problemas semelhantes. É justamente essa diversidade física, social, cultural e histórica que cria as condições para que o trabalho seja rico e inovador. 

 

A escola não está isenta de problemas ou dificuldades, hoje em dia é comum achar que todos possuem conhecimentos de informática por ela ser mais presente no cotidiano. Pela evolução de alguns aparelhos que utilizamos nas residências e nas escolas, saber usar todos esses recursos tornou-se uma necessidade do mundo informatizado, inclusive o contexto escolar.

 

O que, em geral, acontece é que as pessoas não se dão conta dos problemas ou dificuldades que estão a sua volta. O dia a dia e a acomodação fazem com que se deixe de perceber fatos e situações que afetam a qualidade  do ensino aprendizagem e, por tabela, a qualidade de vida dos alunos e educadores. 

 

A informática auxilia o aluno da educação do campo em suas relações com o contexto urbano, através do teclado e dos editores de texto aproxima o aluno da escrita pelo contato visual com as ferramentas. Aproximando os alunos dos recursos de informatização existentes na escola pretende-se minimizar a evasão escolar e, a que pensar nas dificuldades encontradas por esses alunos como um dos motivos principais para esta evasão.

 

Além disso, quando se tenta compreender um pouco a realidade dos alunos, pode-se encontrar nos recursos tecnológicos o caminho para o diálogo e o debate de ideias entre ambas as partes. 

 

(...) a escola precisa se ambientar com a realidade e com os avanços dos meios de comunicação, e deve procurar se relacionar com a realidade que a cerca, que é permeada por tecnologias que se renovam contínua e rapidamente. Caso isso não ocorra, a escolapode ficar para trás em termos tecnológicos, e isso se refletirá também nas suas relações com seus alunos, que já estarão acostumados a novos modos de relacionamentos, advindos das tecnologias, e que poderão achar obsoletas as formas como a escola conduz suas relações com os alunos (CHAMPANGNATTE, 2009, p.23).

 

Assim, percebe-se que não se trata apenas de se adequar às tecnologias, mas sim de compreender as novas interações que se dá a partir delas, ou seja, que as tecnologias estão modificando e interferindo no comportamento da sociedade, refletindo e causando mudanças culturais na escola.

 

E, sob esta perspectiva, cabe ao professor buscar meios e adaptar-se a esse novo contexto social, explorando e discutindo essas novas fontes de estudos com seus educandos, trocando novos conhecimentos, aperfeiçoando a forma de ministrar suas aulas, e usufruindo da amplitude de possibilidades que as mídias audiovisuais proporcionam para o desenvolvimento de novos saberes no trabalho em sala de aula.

 

 

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

4.1. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PROJETO

 

No que diz respeito ao planejamento, a aplicação das atividades em sala de aula foram definidas conforme tabela abaixo:

 

TABELA 1 – CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PROJETO

 

PERÍODO DE EXECUÇÃO

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Julho e Agosto

de 2013

- Contextualização do conteúdo em sala de aula

Setembro

de 2013

- Capacitação dos alunos em relação à fotografia.

- Montagem de um laboratório de revelação fotográfica em papel fosco e brilhante na escola.

Outubro

de 2013

- Discussão sobre os resultados.

- Organização da exposição para a “Feira de Profissões”.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: a autora (2013)

 

 

4.2. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES APLICADAS

 

Durante os períodos de julho e agosto de 2013, em sala de aula o professor de Física contextualizou o conteúdo de óptica e como prática abordou a ideia da câmara escura construída com caixa de papelão, saco plástico preto. Foi trabalhada a questão de como a imagem se forma na retina, sendo que anteriormente os alunos fizeram uma pesquisa extensa sobre essa ferramenta.

 

Na disciplina de Arte, durante o trabalho dos conteúdos conceituais, a proposta é o estudo da História da Arte de maneira que os alunos realizem análises comparativas contextualizando os conhecimentos apreendidos e das modalidades de expressões das artes visuais: intervenções ambientais, fotografia, instalações e o ciberespaço (no espaço bidimensional e tridimensional). No quadro conceitual do retrato, auto retrato, paisagem, composição da imagem enquanto figura e forma ou pixeis; e ainda atividades sobre pensar a imagem além do campo óptico; a perspectiva semiótica na construção da imagem fotográfica, enquanto memória e forma de registro de nosso olhar de observador ou viajante.

 

Em setembro de 2013, foi feita a capacitação dos alunos para trabalharem com este tipo de fotografia (fotografia em p/b gerada pelo registro da luz no papel fotográfico), que envolve produtos químicos e o uso de luz negra e vermelha, além da montagem de um laboratório de revelação fotográfica em papel fosco e brilhante.  No processo, escolheu-se um espaço com no máximo2m2 para fechar com lona, deixando o espaço bem escuro, os papéis fotográficos serão colocados e tirados das caixas somente neste espaço. Precisa-se de uma torneira próxima, pois no momento de revelação duas bandejas são de água e duas são de produtos químicos.   

 

Para o mês de outubro, será proposto um período de discussão sobre os resultados conseguidos com o trabalho e a organização da exposição para a “Feira de Profissões”.  

 

A feira de profissões tem como proposta divulgar os cursos existentes na instituição, buscando a inserção destes alunos e suas práticas no mercado de trabalho.  Será exposto um acervo da área de conhecimento de cada curso, com dinâmicas relacionadas ao RPG (relato de experiências e histórias das profissões) para familiarizar o público visitante ao cotidiano das profissões. Inclui-se ainda a projeção de práticas realizadas na instituição e a mostra de banner dos projetos em desenvolvimento, tudo ficará exposto e organizado em salas e no auditório da instituição. Os alunos devem promover a mediação da comunidade com o material exposto.      

 

 

4.3. AVALIAÇÃO

 

A avaliação do projeto ocorrerá de forma processual e contínua, os alunos devem ser acompanhados em cada uma das etapas da atividade.

 

O processo avaliativo será realizado em conjunto com a turma, de forma crítica e reflexiva, sempre analisando os aspectos positivos e negativos de cada ação ou acontecimento e levando-se em consideração a evolução do trabalho em equipe, principalmente pelo fato da grande maioria desconhecer o processo fotográfico anterior ao digital.    

 

Assim, serão consideradas as seguintes etapas no processo avaliativo:

 

- Etapa 1: Verificação sobre a apropriação do conteúdo de física e arte em sala, na sequência construção da câmara escura com caixa de papelão e saco plástico preto. O mais interessante é o olhar do educando surpreso com a imagem que aparece dentro do objeto que construiu.

 

 

 

FIGURA 1: ATIVIDADE NO LABORATÓRIO DE FÍSICA

 

Fonte: a autora (2013)

 

- Etapa 2: Perceber que nem tudo é exato quando se segue uma receita passo a passo, assim o resultado depende da qualidade atribuída ao tempo de trabalho para produzir a câmara escura. Propiciar um momento reflexivo sobre a produção coletiva, percebendo que algumas falhas que surgem na construção não poderão ocorrer quando estiverem trabalhando com os químicos no laboratório de revelação.

 

- Etapa 3: Dedicação dos alunos no processo de montagem do laboratório para revelação fotográfica em P/B. O processo é meio parecido com a câmara escura, só que ampliado para o tamanho de uma sala de aula, toda escura com luz vermelha para não queimar o papel fotográfico antes de realizar a revelação.

 

- Etapa final: Avaliar as imagens registradas através da revelação, observar se estão a contento do grupo para a mostra que ocorrerá ao final do processo, no mês de outubro. O projeto vem promover a divulgação e mostra das atividades práticas do curso Técnico em Agropecuária: produção animal, produção vegetal, administração e extensão rural, agroecologia, agroindústria, infraestrutura rural, horticultura, solos, mecanização. Espera-se que as imagens representem estritamente as práticas realizadas no curso referenciado.     

 

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A grande inovação trazida por projetos interdisciplinares é a ênfase na ação e na busca de soluções para problemas que afetam o ensino aprendizagem. O uso de mídia na sala de aula é uma atividade recente no ensino, mas a divulgação de trabalhos realizados em determinadas escolas tem fornecido subsídios para novos projetos em outras escolas.

 

A abordagem realizada entre as mídias e a fotografia não substituem os professores, as TICs devem funcionar como instrumento facilitador de sua prática. Para que se atinja o nível de participação almejado pelo professor de acordo com o que conhece da turma, três etapas precisam ser percorridas: apropriação dos conteúdos, construção dos conceitos, mudanças de atitudes e práticas de cidadania.

 

Nas sugestões relatadas buscou-se interagir com temas que iam desde ângulo visual ou diâmetro aparente, câmara escura de orifício, plasticidade da imagem publicitária e os códigos de linguagem da imagem, ao uso efetivo da informática nas atividades diárias do aluno na escola.    

 

Nas estratégias didáticas utilizou-se a discussão com toda turma envolvida, sendo que cada aluno contribui informalmente. Discussão em grupo envolvendo a turma, organizada em grupos pequenos e o professor como mediador.  Brainstorm envolve todo o grupo e se pede para apresentar soluções possíveis para um dado problema, sem se preocupar com análises críticas, todas as sugestões são anotadas.

 

Além disso, utilizou-se a construção da câmara escura de orifício com caixa de papelão, ressaltando-se que a caixa de papelão pode ser de qualquer tamanho desde que o aluno possa colocar a cabeça dentro dela. No processo de construção, deve-se fazer um pequeno orifício em uma de suas laterais, e se desejar projetar a imagem em seu interior da forma que a vemos precisa colocar um papel branco na parede oposta ao orifício.

Outro aspecto definido no projeto foi o desenvolvimento de um conjunto de questões ordenadas a ser submetido a um determinado público para coleta de amostragem de opinião. Esse instrumento ajudará a definir a extensão de um problema ou impacto de uma questão.

 

Por fim, a oficina de mídia produzindo campanhas publicitárias, dos jornais e revistas, que prevê a utilização/exploração dos recursos locais próximos para estudos e observações. Seguindo para o processo da fotografia em p/b em papel fotográfico, esquema montado em caixa de papelão, e a montagem de laboratório de revelação com câmara escura, nesta etapa trabalhando-se com as bandejas de água e os produtos químicos que fazem com que a imagem surja e fixe-se no papel.         

 

Procuramos promover a aproximação da nossa comunidade escolar das linguagens de mídia, através da observação de “um mundo sem palavras”, ou seja, tendo como base a imagem. Educar o olhar do observador para contextualizar suas experiências de forma sistematizada com as competências atribuídas aos conteúdos de sala de aula é um aspecto fundamental.

 

A estratégia é fazer com que percebam o que o espaço escolar é para si e para os outros; despertar para o significado que possui na comunidade; sugerir formas de atuação para a melhoria da qualidade de ensino aprendizagem na comunidade.

 

Através da divisão de tarefas, o presente projeto busca tornar a comunidade escolar mais participativa, atuando de forma efetiva em todos os pretextos e contextos do ensino aprendizagem.  Tendo em vista que as atividades estão em andamento, não há um fechamento de resposta para os problemas levantados, mas ressalta-se que o aprendizado dos alunos envolvidos no projeto tem evoluído de forma significativa. 

 

Espera-se que o aluno perceba a relação entre arte e ciência, e que o “impossível” é apenas algo para o qual ainda não se encontrou solução. Desenvolvendo, assim, habilidade em realizar leitura de fotografias, em descrever paisagens, detalhes nas imagens e comparar diferentes tempos históricos e as respectivas transformações, a partir de um trabalho interdisciplinar e contextualizado. 


 

REFERÊNCIAS

 

AGUIAR, S. M. A imagem na sala de aula. Educativa, Goiânia, v.13, n.2, p.1, dez. 2010.

 

ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2007.

 

ARGAN, G. C. Arte e critica de arte. Lisboa: Estampa, 1995. p. 92.

 

AVEDON, R. Fotografe uma ideia. Disponível em: <www.http://fotografeumaideia.com.br>. Acesso em: 30/09/2013.

 

BARBOSA, A. M. A arte educação no Brasil: das origens ao modernismo. São Paulo:Perspectiva, 1994.

 

CAVALCANTE, M. Uma máquina fotográfica de lata. Revista Nova Escola on-line, n.170, mar. 2004. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0170/aberto/mt_140639.shtml>. Acesso em: 06/01/2005.

 

CHAMPANGNATTE, D. M. O.  A inserção das mídias audiovisuais no contexto escolar. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0102-46982011000300002⟨=pt>. Acesso em: 28/09/2013.

 

DOMINGUES, D. Arte no Séc.21: A humanização das tecnologias. São Paulo: Unesp, 1997.

 

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.

 

GSCHMEISSNER, S. Fotografia Científica. Disponível em: <www.visualphotos.com/artist/2x10528/steve_gschmeissner>. Acesso em: 30/09/2013.

 

RESENDE, H. Mestre da fotografia: Richard Avedon. Disponível   em: <http://fotografeumaideia.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1742&Itemid=137>. Acesso em:30/09/2013.

 

LACERDA, F. A evolução e a revolução da imagem. Disponível em: <evoluçãodaimagem.blogspot.com.br/2012/ 11/ 0- principio-da-camara-escura.html> Acesso em: 18/09/2013

 

LÉVY, P. As tecnologias da Inteligência: O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo. Editora 34. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2004. p.21-36.

 

MARTÍ, S. O retorno do Dândi Wesley Duke Lee. São Paulo: Bravo, v.130, p.80-82, jun. 2008.

 

MENDONÇA, V. Retrato do artista. São Paulo: Bravo, v.124, p. 46 – 51, dez. 2007.

 

MÍDIAS INTEGRADAS NA EDUCAÇÃO. Módulo Material Impresso. Disponível em: http://www.cursos.nead.ufpr.br/mod/resource/view.php?. Acesso em: 01/09/2013.

 

PIGNATARI, D. Semiótica & literatura – ed. reorganizada e acrescida de novos textos. Cotia, São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. p. 20.

 

PINHEIRO, O. J. A fotografia na ciência e na arte: alguns usos e processos. Disponível em: <http://www.esocite.org.br/eventos/tecsoc2011/cd-anais/arquivos/pdfs/artigos/gt017-afotografia.pdf>. Acesso em: 09/09/2013.

 

RODRIGUES, S . A internet abastarda a literatura. São Paulo: Bravo, v. 136, p. 58 – 63, dez. 2008.

 

SALGADO, S. Exposição de mais de 200 fotos clicadas pelo mundo. Disponível em:  <www.guia.uol.com.br/.../exposicao-traz-mais-de-200-fotos-de-sebastiao-salgado-clicadas-pelo-mundo.htm>. Acesso em: 30/09/2013.

 

SCHLICHTA, C. Mundo das ideias: Arte e Educação, há um lugar para a Arte no Ensino Médio? Curitiba: Aymará, 2009.

 

TURAZZI, M. I.  Poses e Trejeitos: A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839-1889). Rio de Janeiro: Rocco, 1995.


 


 

OUTROS TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO

SOBRE MÍDIAS INTEGRADAS NA EDUCAÇÃO

 

TCC - MÍDIAS IMPRESSA, SONORA E AUDIOVISUAL COMO UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA 

TCC - COMPLEMENTAÇÃO DE AULA PRESENCIAL ATRAVÉS DO MOODLE

TCC - MULTIPLICIDADE DE INTERPRETAÇÕES DA IMAGEM FOTOGRÁFICA 

TCC - CINEMA EM CARTAZ - DIÁLOGOS COM A EDUCAÇÃO 

TCC - O USO DA LOUSA DIGITAL NA SALA DE AULA

TCC - BLOG RECONHECENDO AS DIFERENÇAS

TCC - LITERATURA INTERATIVA

 

 

TCC - CURSO DE TUTORES

CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES NO USO DAS TICs

O USO DE PODCASTS NO COMBATE À PICHAÇÃO

PODCASTS - APOSTILA PARA OS ALUNOS

O USO DO FLOORPLANNER COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA

 

 

 

 

 

 

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