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O USO DE PODCASTS NO COMBATE À PICHAÇÃO

Page history last edited by Geane Poteriko 10 years, 3 months ago

O USO DE PODCASTS NAS AULAS DE INGLÊS:

 

COMBATE À PICHAÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR

 

                          GEANE APARECIDA POTERIKO DA SILVA

                             UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

 

 

 

Artigo apresentado para obtenção do título de Especialista 

em Mídias Integradas na Educação no Curso de Pós-Graduação 

em Mídias Integradas na Educação, Setor de Educação 

Profissional Tecnológica, Universidade Federal do Paraná.

 

Orientadora: Profa. Ms. Cris Betina Schlemer

 

                                                                                                                                      

 

                                                                

O uso de podcasts no combate à pichação:

Um estudo de caso no ensino fundamental

 

 

                        SILVA, Geane Aparecida Poteriko da.

Curso de Especialização em Mídias Integradas na Educação, SEPT/UFPR.

Polo UAB de Apoio Presencial em Colombo/PR

 

 

RESUMO – O contexto educacional vem há muito tempo recebendo as Tecnologias de Informação e Comunicação como ferramentas de alto impacto pedagógico. Em se tratando do universo particular dos alunos, nota-se que agora são eles próprios que transportam para dentro da sala de aula todo um amplo conjunto de tecnologia móvel: o uso de celulares, leitores de mp3 e iPods tornou-se rapidamente um fenômeno entre os jovens. Com o objetivo de constatar as potencialidades da utilização do podcast como suporte na criação de consciência e alteração de comportamento dos alunos contra a Pichação na escola, o presente trabalho apresenta um estudo de caso realizado em turma de 9º ano do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, em Colombo, PR, em continuidade à Campanha contra a Pichação realizada no ano de 2012 no referido colégio. Como metodologia definiu-se o estudo de caso, e para a coleta de dados utilizou-se a técnica de observação participante. A partir da análise dos resultados, concluiu-se que as Tecnologias da Informação e Comunicação – em especial os podcasts e arquivos de áudio - são de fato ferramentas com amplas possibilidades de trabalho e grande auxílio para o professor em sala de aula, podendo alcançar resultados positivos na prática docente.

 

Palavras-chave: Tecnologias da Informação e Comunicação; Podcasts; Campanha contra a Pichação.

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

Sabe-se que a pichação é um grande problema da maioria das cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, nota-se que esta não se restringe aos ambientes urbanos, mas também invade o meio escolar e as instalações dos colégios públicos. Nesse contexto, percebe-se que a maneira mais eficaz de combatê-la na escola é através de campanhas de conscientização, alertando os alunos de que pichar as instalações do colégio, assim como muros de residências, edifícios, patrimônios históricos e culturais, não traz nenhum benefício para a sociedade, além de se caracterizar como um crime, segundo a legislação brasileira, que afirma no artigo 65 que “pichar ou (...) conspurcar edificação ou monumento urbano é uma infração com pena de detenção, de três meses a um ano, e multa” (Brasil, 1998).

 

O Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, de Colombo, PR, vem desenvolvendo inúmeras campanhas e atividades voltadas à preservação e ao bom funcionamento de sua estrutura física, desde o ano de 2012, buscando oferecer aos alunos um local agradável e mais propício à aprendizagem. Nesta ocasião, teve início uma Campanha de Conscientização contra a Pichação, ainda em andamento, que ofereceu aos alunos palestras com a Patrulha Escolar sobre o tema, trabalhos em sala de aula nas diferentes disciplinas e criação de vídeos gravados pelos estudantes e propagandas a favor da antipichação, divulgadas nas redes sociais e ambientes virtuais e estendidas à comunidade local. Depois disso, no final do ano letivo de 2012, todas as pichações dos muros e paredes do colégio foram substituídas por grafites feitos pelos alunos, em um trabalho coletivo com todos os estudantes e professores.

 

Este trabalho de Conclusão de Curso pretende utilizar a mídia podcast para difundir este projeto antipichação desenvolvido no colégio, de forma a dar continuidade ao projeto já iniciado em 2012, na turma de 9º ano do Ensino Fundamental. Pretende-se, assim, incentivar os alunos na criação e divulgação de mensagens a favor desta campanha e, ainda, mobilizar a comunidade no combate à pichação e preservação dos grafites criados no espaço escolar.

Este trabalho justifica-se na necessidade permanente da escola em trazer para seu ambiente a realidade da comunidade onde está inserida e estabelecer vínculos com a vivência de seus alunos. Dessa forma, um dos recursos mais adequados e que mais se aproxima dos jovens em geral é o uso dos meios de comunicação e da mídia, incluindo-se, além da informática e dos meios virtuais, os arquivos de áudio e rádio. Lévy (1999) apud Neto (2007, p. 93) afirma que “com o crescimento da rede digital, uma nova forma de universalidade surgiu”. Assim, além do fenômeno técnico, práticas, valores e modos de pensamento se modificaram pela cibercultura.

 

Segundo Moran (2007b), a educação escolar precisa compreender e incorporar de forma mais visível as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. Para o autor, “é importante educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos indivíduos” (2007b, p. 165).

 

E, na proposta de trabalho deste projeto, o uso de podcasts vem como suporte na criação de consciência e mudança de comportamento dos alunos contra a pichação, tendo como base os recursos tecnológicos e midiáticos para a participação e evolução do tema no contexto escolar.

 

O artigo apresenta uma revisão de literatura, seguida dos procedimentos metodológicos, universo de pesquisa e amostra, etapas e planejamento do trabalho e apresentação dos resultados e considerações finais.

 

 

2. REVISÃO DE LITERATURA

 

A Revisão de Literatura é composta pelos seguintes tópicos: O uso de mídias na Educação, podcasts em sala de aula e a pichação no ambiente escolar.

 

 

2.1. O USO DE MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

 

Segundo Kenski (2005), as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs), por meio de seus suportes (mídias ou meios de comunicação, como a televisão, o vídeo, a internet, o rádio) realizam o acesso, a veiculação das informações e todas as demais formas de articulação comunicativa.

 

As TICs invadiram o nosso cotidiano e por tal razão estamos vivendo um novo momento tecnológico: “a ampliação das possibilidades de comunicação e de informação, por meio de equipamentos como a televisão e o computador, altera nossa forma de viver e de aprender na atualidade” (Kenski, 2005, p. 3).  

 

De acordo com Neto (2007), nota-se que perante esta inundação de signos, o universo das informações e os seres humanos que navegam e alimentam esse espaço têm a possibilidade de ir além da infraestrutura técnica material da comunicação. Em razão disso, com o crescimento da rede digital – incluindo aqui dispositivos móveis e podcasts - uma nova forma de universalidade surge, fazendo com que, além do fenômeno técnico, práticas, valores e modos de pensamento se modifiquem.

 

A inclusão dos recursos midiáticos no trabalho do professor em sala de aula é outro aspecto relevante. Neto (2007) afirma que os professores, principalmente os que atuam nas escolas públicas que dispõem de laboratórios de informática, têm o desafio de desenvolver no seu dia a dia a autonomia que é fundamental para criar um vínculo entre a própria prática e as novas tecnologias. Desse modo, o educador pode contribuir para a transformação de sua ação pedagógica e do trabalho em sala de aula.

 

Logo, o professor deve envolver-se integralmente nos processos de mudança da prática pedagógica para utilizar na Educação os recursos disponíveis na sociedade.

 

Nesse cenário, de acordo com Neto (2007), a exigência de um novo papel para o professor, como resultado de sua formação e ação, reflete o contexto de uma sociedade que está em aceleração e complexidade constantes.

 

A mudança é necessária e pode conduzir o professor a repensar suas concepções sobre ensino e aprendizagem, com o auxílio das Tecnologias da Informação e Comunicação.

 

Para Moran (2007a), as tecnologias são “pontes que abrem a sala de aula para o mundo, que representam, medeiam o nosso conhecimento”. De acordo Moran, são diferentes formas de representar o que nos rodeia, que quando combinadas e integradas, possibilitam uma “melhor apreensão da realidade e o desenvolvimento de todas as potencialidades do educando, dos diferentes tipos de inteligência, habilidades e atitudes”.

 

Assim, as Tecnologias da Informação e Comunicação são ferramentas de grande auxílio para o trabalho do professor em sala de aula e o alcance de resultados positivos na prática docente.

 

 

2.2. PODCASTS EM SALA DE AULA

 

O dia a dia no ambiente escolar mostra que o universo peculiar dos estudantes é rodeado pelas mídias digitais. São os próprios alunos que transportam, de forma natural, para dentro da sala de aula, todo um amplo conjunto de tecnologia móvel.

 

O uso de celulares, leitores de mp3 e iPods tornou-se rapidamente um fenômeno entre os jovens, e considerando ainda a facilidade com que ficheiros multimídia são transferidos para estes dispositivos e a possibilidade de reprodução em qualquer lugar e momento, nota-se que a utilização destas mídias pode ser um excelente recurso a ser explorado no ambiente escolar.

 

Neste contexto, o podcast surge como um recurso inovador, principalmente porque está intimamente relacionado ao mundo digital dos alunos e, ainda, por se tratar de um formato que exige poucas capacidades dos dispositivos para reprodução e mais acessível.

 

Menta e Barros (2007) afirmam que:

 

PodCast é uma palavra originada pela junção entre os termos Ipod – aparelho produzido pela empresa Apple que reproduz MP3, e Broadcast – que significa transmissão. (...) É um programa de rádio personalizado gravado em mp3, ogg ou mp4, disponibilizados na Internet, vinculados a um arquivo de informação (feed) que permite que se assine os programas recebendo as informações sem precisar ir ao site do produtor (Menta e Barros, 2007, p. 7).

 

Segundo Moura e Carvalho (2013) o podcast é uma forma de publicar programas de áudio, vídeo e imagens na web. Nesse sentido, trata-se de uma ferramenta virtual que se caracteriza como tecnologia de extrema importância para a sociedade e, em especial, para a Educação.

 

Para compreender um pouco mais a escolha desta mídia para o trabalho com os alunos, pode-se mencionar Infante (2006), a qual afirma que já há algum tempo assistimos a um fenômeno de comunicação que se populariza na mesma proporção dos blogs: o podcast. Para Infante, o conceito tem como objetivo "produzir conteúdos próprios sem qualquer tipo de controle ou constrangimento comercial e alojá-los na Internet, onde ficam disponíveis para download de forma gratuita” (Infante, 2006, p. 106).

 

De acordo com pesquisas realizadas por Moura e Carvalho (2013), o desenvolvimento desta tecnologia surge em 2004, quando Adam Curry (DJ da MTV) e Dave Winer (criador de software) criaram um programa que permitia descarregar automaticamente transmissões de rádio na Internet diretamente para os seus iPods. O podcast (combinação da palavra iPod e broadcast) "é um modo de difusão de emissões de rádio", segundo Moura e Carvalho (2013, p. 8). Nestes termos, através de subscrição de um “feed RSS”, e com a ajuda de um programa específico, pode-se descarregar automaticamente para o computador ou o iPod as emissões de rádio previamente selecionadas e em seguida transferi-las para um leitor de ficheiros MP3. Estas, por sua vez, podem ser ouvidas onde e quando o utilizador pretender.

 

Assim, para Moura e Carvalho (2013), o que torna o podcast uma ferramenta atraente é a possibilidade que o ouvinte tem de “subscrever os podcasts que lhe interessam usando um agregador RSS (Real Simple Syndication) que lhe garante automática a atualização dos podcasts para o PC ou leitor portátil” (Moura e Carvalho, 2013, p. 9).

 

Segundo Moura e Carvalho (2013), através do podcast é possível levar os alunos a desenvolver e a aperfeiçoar a competência linguístico/comunicativa para um nível da compreensão e da expressão escrita e oral, sendo possível facilitar a comunicação em qualquer situação. No caso deste projeto, o envolvimento é ainda maior porque inclui um tema de interesse dos alunos e que permeia a comunidade local: o combate à pichação no ambiente escolar.

A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e mostrar isso na sala de aula, discutindo e ajudando na percepção dos aspectos positivos e negativos das abordagens midiáticas.

 

Considerando que vivemos uma época de grandes desafios no ensino focado na aprendizagem, Moran (2005) ressalta que é válido pesquisar novos caminhos de integração do humano e do tecnológico em busca de uma maior proximidade entre a escola e a vida, tal como se almeja neste trabalho de conclusão de curso, a partir do uso de podcasts e arquivos de áudio em sala de aula no Ensino Fundamental, bem como da conscientização contra a pichação.

 

2.3. A PICHAÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR

 

Segundo Canevacci (1993, p. 183), a pichação pode ser caracterizada como “letras ou assinaturas de caráter monocromático, feito com spray ou rolo de pintura”. Desse modo, o piche popularizou um estilo próprio, sendo que a letra da pichação é composta por traços retos que formam diversas arestas em uma forma homogeneizadora.

 

Sob tal perspectiva, para Canevacci:

 

Essas letras têm o jogo (...) dos rabiscos próprios da verdadeira escrita árabe; (...) e também a seriedade do alfabeto gótico, feito de signos convexos e côncavos, de ângulos agudos, de improvisadas acelerações, com subidas e descidas dos signos. Talvez seja devido a esta matriz obscura e misturada (...) que raramente se compreenda o sentido desses grafites. (Canevacci, 1993, p. 183).

 

De acordo com Spinelli (2013)[1], essa linguagem serve de signo de reconhecimento e permite, fora dos limites do seu território (bairro, escola, relações amigáveis), se agregar a grupos que compartilham o mesmo "estilo tipo".

 

No entanto, a atuação de grafiteiros e pichadores colabora, em geral, com uma marginalização do bairro em que foi feita. Com exceção das poucas ocasiões em que ganham uma conotação artística valorativa, pode-se perceber que as intervenções visuais não repercutem em bairros habitados por detentores de capital econômico.

 

Um aspecto importante é que a pichação não é reconhecida como prática legal, a menos que o local usado seja cedido por seu proprietário. A polícia tem como ação enquadrar quem picha no artigo 163 do Código Penal Brasileiro sob o “dano ao patrimônio público”. Portanto, pode-se caracterizar a pichação como um ato de vandalismo considerado grave no meio urbano e que invade o espaço escolar de forma gradativa.

 

É preciso destacar que o criminoso que pratica esse tipo de ato pode ser passível de punição, que vai além do que prevê o artigo 163 do Código Penal Brasileiro, já mencionado anteriormente. O assunto é tão amplo na sociedade que está previsto na legislação brasileira: em 12 de fevereiro de 1998 foi criada uma lei que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, a Lei nº 9.605.

 

O artigo 65 desta lei prevê que “pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano” é uma infração com pena de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. A lei ainda reforça, em seu parágrafo 1º, que “se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa”.

 

Em contrapartida, como forma de diferenciar a pichação do grafite, a Lei nº 9.605, em seu parágrafo 2º, aponta que:

 

Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, (...) no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Brasil, Lei 9.605/98, de 12 de fevereiro 1998).

 

É importante esclarecer, nesse sentido, sob uma perspectiva legal, que há diferenciação entre grafite e pichação, sendo importante incentivar a prática do grafite entre os jovens, combatendo assim os atos de pichação. No ambiente escolar, o grafite pode ser a alternativa adequada para as ações antipichação.

 

A prática da pichação era uma situação presente na escola e, perante ela, os professores e diretores se juntaram na criação de uma campanha para modificar esta realidade. No início do ano letivo de 2012, o Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves iniciou um trabalho de conscientização contra a Pichação em seu espaço escolar, já que se percebeu um aumento degradante do número de pichações no prédio e muros.

 

O primeiro passo foi saber quais eram os motivos da pichação, na visão dos alunos. Para isso, foram entrevistados 460 alunos, as partir de um questionário aplicado em 16 de abril de 2012. De acordo com eles, os motivos pelos quais se pichavam as instalações do colégio eram, em primeiro lugar, por diversão e para trazer adrenalina, assim como uma forma de protesto ou rebeldia, por ser um ato proibido e também para chamar a atenção.

 

Nesta mesma oportunidade verificou-se que os próprios alunos é que pichavam o colégio. Alguns afirmaram não conhecer os pichadores, mas a maioria confirmou que os pichadores são ex-alunos, alunos ou moradores do bairro.

 

Tomando as respostas como base, foi desenvolvida uma campanha antipichação envolvendo professores, alunos e comunidade, que seguiu até o final do ano de 2012 e teve como resultado uma nova cara para a estrutura da escola, limpa de desenhos pichados e com grafites. Assim, a partir deste trabalho, foi feita a substituição das pichações dos muros e paredes por desenhos de grafite, feitos pelos alunos da escola.  

 

Além disso, outras medidas foram realizadas, como a aquisição e instalação de câmeras de segurança em todas as salas de aula e em torno do pátio e prédio escolar, para aumentar a segurança e também ter recursos de controle e punição aos pichadores, assim como o trabalho de conscientização com atividades pedagógicas relativas ao tema em sala de aula, de forma interdisciplinar. Para auxiliar a campanha, a Patrulha Escolar apoiou a iniciativa e durante o ano letivo ministrou palestras em todas as salas de aula sobre o tema pichação, definindo em cada semana uma turma atendida e reforçando o trabalho dos professores. Visando a continuidade e o reforço do trabalho empreendido é que se estrutura este trabalho, utilizando o apoio das mídias para reforçar a mensagem pretendida.

 

O objetivo agora é manter o trabalho de conscientização com os alunos para conservar todas estas ações que já foram realizadas. Partindo deste princípio, e dando continuidade à Campanha contra a Pichação iniciada em 2012 no colégio, é que o presente Trabalho de Conclusão de Curso apresenta sua proposta, tendo como referência a mídia áudio e o uso de podcasts em sala de aula como suporte na criação de consciência e alteração de comportamento dos alunos em relação ao assunto.

 

 

3. METODOLOGIA

 

3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


De acordo com Yin (2001), o estudo de caso é apenas uma das muitas maneiras de se fazer pesquisa em ciências sociais. Assim, segundo Yin, em geral, os estudos de caso “representam a estratégia preferida quando se colocam questões do tipo "como" e "por que", quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real”. (Yin, 2001, p. 19).

 

Desse modo:

 

O estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real - tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais e a maturação de alguns setores. (Yin, 2001, p. 21).

 

Trata-se, portanto, de “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. (Yin, 2001, p. 32).

 

Para a coleta de dados optou-se pela técnica de observação participante. Segundo Gil (2002) a técnica da observação participante consiste na “inclusão do observador na realidade de vida do ator ou grupo observado, ocupando o papel de membro grupal, para conhecer a vida do grupo em questão a partir do contexto do mesmo”.

 

As atividades foram realizadas e acompanhadas pela pesquisadora, que após a realização das atividades, anotava no seu “diário de bordo” os dados relevantes para a pesquisa. Essas anotações foram utilizadas para a elaboração da análise dos resultados.

 

 

3.2. UNIVERSO DE PESQUISA E AMOSTRA

 

O universo da pesquisa é o Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, localizado no bairro Santa Tereza, município de Colombo. O colégio possui dois prédios constituídos por 10 salas de aulas, além da sala de apoio à aprendizagem, biblioteca, secretaria, sala de direção e equipe pedagógica, sala de professores, cozinha, banheiros feminino e masculino, pátio coberto, laboratório de informática e quadra de esportes.

 

A comunidade escolar é constituída por cerca de 850 alunos, atendidos nos três turnos de funcionamento (manhã, tarde e noite). São, na maioria, filhos de trabalhadores autônomos, empregados domésticos ou comerciantes, com renda média entre 1 a 4 salários mínimos. Em decorrência de vários fatores externos, as famílias não se fazem presentes no dia a dia escolar dos filhos, a não ser mediante convocações extraordinárias, quando se fazem necessárias.

Como amostra da pesquisa foi escolhida a turma de 9º ano “C” do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, que é composta de 28 alunos, com faixa etária entre 13 e 15 anos, oriundos da região em torno do Bairro Santa Tereza, onde se localiza o colégio.

 

Os alunos da turma provém de famílias humildes, com renda média entre 1 e 3 salários mínimos. A maioria possui computador em casa e também celulares e outros tipos de reprodutores de áudio e mp3; assim há um interesse particular em atividades que envolvem estas mídias.

 

 

3.3. ETAPAS DO PROCESSO DE PESQUISA

 

O trabalho foi organizado de acordo com a tabela abaixo.

 

ETAPAS

ATIVIDADES

ETAPA 1

Elaborar o material de apoio.

ETAPA 2

Planejar as aulas.

ETAPA 3

Aplicar o planejamento em sala de aula

Desenvolver os trabalhos com os alunos.

ETAPA 4

Divulgar o material para a comunidade

ETAPA 5

Analisar os resultados obtidos.

 

TABELA 1 – ETAPAS DE TRABALHO

Fonte: a autora (2013)

 

No que diz respeito ao planejamento, a aplicação das atividades em sala de aula foram definidas conforme TABELA 2 – PLANEJAMENTO DO TRABALHO (ver Apêndices).

 

 

4. RESULTADOS

 

As atividades aplicadas em sala de aula foram desenvolvidas na turma de 9º ano “C” durante o mês de maio, conforme a tabela 2 – Planejamento do Trabalho. Apenas a exposição dos trabalhos dos grupos ficou marcada para o início do mês de junho, a fim de que as equipes tivessem tempo hábil de se organizar para a apresentação.

 

O trabalho na turma teve início com a exposição do vídeo: “Evolução dos Meios de Comunicação”, (8:39min), que foi exibido com o objetivo de levar os alunos a perceberem os avanços nos meios de comunicação no decorrer dos tempos e fazer uma introdução ao assunto. A partir do vídeo, foi feito um debate sobre a mídia rádio e a presença do áudio no cotidiano das pessoas.

 

Como pontos a serem observados na aula 1, identificou-se a princípio o número de alunos prestando atenção no vídeo, conforme tabela 3 (ver Apêndices).

 

De acordo com a tabela, percebe-se que 52% da turma participou com comentários durante a realização da atividade. Ainda, segundo a observação da pesquisadora, é possível afirmar que os alunos tiveram uma interação positiva com o vídeo apresentado e aos comentários referentes ao assunto.

 

No que diz respeito ao nível de atenção dos alunos, a maioria mostrou-se atenta aos conteúdos que estavam sendo desenvolvidos, somando cerca de 78% de participação da sala.

 

Com relação à interação entre os alunos/ comentários sobre o vídeo durante a apresentação, é possível afirmar que os alunos tiveram uma interação positiva com o vídeo apresentado e fizeram vários comentários referentes ao assunto, como já foi exposto anteriormente na tabela 3.

 

Sobre a discussão entre os alunos e perguntas ao professor após a apresentação dos recursos audiovisuais, observou-se que depois da exibição do vídeo surgiram vários questionamentos sobre os meios de comunicação e a realidade de vida dos alunos. Além disso, surgiram comentários referentes ao tema podcast e suas possibilidades de uso para o trabalho de conscientização contra a Pichação. Primeiramente, foi feita a conceituação de podcasts e, em seguida, estabeleceu-se a relação entre a produção de Podcasts (áudios) à continuidade da Campanha contra a Pichação realizada no colégio no ano de 2012, usando este assunto como tema principal da produção dos áudios.

 

O passo seguinte foi fazer a leitura do material escrito sobre o texto radiofônico e suas características, com o objetivo de levar os alunos a conhecerem os elementos do texto radiofônico a fim de posteriormente escreverem seus próprios textos para serem gravados em áudio.

 

Neste início de trabalho, percebeu-se bastante interesse da turma. A leitura do material sobre o texto radiofônico foi feita com uso do projetor multimídia Data Show, assim houve mais participação e interação dos alunos, que se mostraram motivados com o uso do recurso midiático na apresentação dos conteúdos.

 

Em continuidade, a aula 2 teve como objetivos apresentar aos alunos as características da redação do texto radiofônico, incluindo: o que é Lead, roteiro, pauta, entrevista e reportagem, além de treinar a criatividade na elaboração de ideias para a escrita de texto radiofônico.

 

Para isso, continuou-se a apresentação do material de leitura sobre as características da redação do texto radiofônico através do projetor multimídia Data Show. Assim como na aula anterior, a participação da turma foi positiva. Para exemplificar a criação de textos de rádio, foi solicitado um trabalho em grupos sobre diferentes perspectivas para um mesmo anúncio, sendo proposta a elaboração de títulos ao anúncio de um produto fictício “BZZZ”. A atividade de elaboração de títulos ao anúncio do produto fictício foi bem aceita por todos.

 

No início do trabalho, houve um pouco de dificuldade para os grupos iniciarem a criação dos títulos, uma vez que se trata de uma atividade pouco conhecida pelos alunos, mas depois da realização de explicações individualizadas aos grupos, todos conseguiram concluir a atividade e apresentar à turma. As apresentações foram bem humoradas e divertidas, os alunos mostraram criatividade e dedicação nos trabalhos.

 

A próxima ação foi a entrega de um exemplo de pauta e roteiro para a organização dos grupos na produção dos áudios sobre pichação, seguida das orientações para o início da escrita dos textos a serem transformados em podcasts pelas equipes.

 

Como pontos a serem observados na aula 2, identificou-se a interação com o tema apresentado, sendo possível observar que o assunto foi recebido de forma positiva entre os alunos, assim houve interação com o tema no decorrer da aula.

 

Quanto à participação dos alunos na atividade, notou-se que houve participação geral de todos na atividade proposta – 100%, e o entusiasmo nas discussões das equipes sobre o tema abordado também foi um aspecto observado pela pesquisadora: a preparação dos trabalhos das equipes foi feita com entusiasmo e bastante organização, sendo que todos concluíram a atividade com êxito.

 

Com relação à produção do material solicitado, pode-se afirmar que o material foi produzido de acordo com o solicitado e apresentado de forma adequada pelos alunos.

 

Foram vários os questionamentos e comentários sobre as apresentações dos grupos. As equipes participaram ativamente do momento de exposição das produções, respeitando o trabalho do outro, fazendo comentários saudáveis e de acordo com o assunto.

 

Em sequência ao Planejamento de trabalho, a aula 3 propôs analisar vídeos com exemplos de áudios gravados para programas de rádio, relacionando-os posteriormente aos textos a serem escritos sobre o tema “pichação”. A partir destes vídeos, os alunos tiveram subsídios concretos para a elaboração de seus próprios textos sobre a Campanha contra a Pichação, com o objetivo de fazer a gravação em áudio. Após a exibição dos vídeos e debate sobre seus conteúdos, foi proposta a escrita dos textos sobre a pichação para serem posteriormente transformados em podcasts.

 

Com relação à exibição dos vídeos, foi possível perceber que estes foram bem recebidos pela turma. Alguns alunos lembraram outros comerciais de rádio de destaque na mídia e fizeram vários comentários, ressaltando os recursos utilizados em cada um deles.

 

O início da escrita dos textos sobre a Campanha contra a Pichação para serem gravados em áudio foi um pouco difícil para os alunos, uma vez que muitos deles não sabiam por onde começar seus textos ou sobre que abordar nos áudios. Mas, aos poucos, os grupos foram conversando, trocando ideias, interagindo e conseguindo produzir os trabalhos e elaborar as frases para gravação.

 

Por fim, foi feita a apresentação sobre o software Audacity e as explicações sobre suas ferramentas e possibilidades de trabalho. A princípio, a turma julgou o programa Audacity um pouco complicado de se trabalhar, mas percebeu-se que isso ocorreu apenas porque os alunos ainda não conheciam o software. Assim, com o uso de projetor de multimídia, foi feita a apresentação do Audacity através de slides, enquanto isso as ferramentas de gravação e edição de áudio do programa foram sendo mostradas simultaneamente à turma, através de gravações ao vivo para expor as possibilidades de trabalho com o software. A partir daí, os alunos foram percebendo as facilidades de uso do programa. O tempo foi curto para as explicações, por isso foi entregue a cada grupo uma cópia do tutorial sobre o Audacity para estudos posteriores.

 

Com relação aos aspectos a serem observados na aula 3, pode-se dizer que todos os alunos prestaram atenção nos vídeos, assim é possível afirmar que a aceitação foi geral.

 

Além disso, a interação entre os alunos foi positiva, surgindo vários comentários sobre os vídeos assistidos referentes aos recursos de cada um deles: músicas incluídas, vozes da narração e dos personagens, características dos textos, efeitos de som empregados etc. A discussão entre os alunos e as perguntas ao professor após a apresentação dos recursos audiovisuais também foi registrada de forma positiva, sendo que as perguntas mais frequentes foram sobre o que os grupos poderiam escrever para gravar sobre o tema pichação. Desse modo, foi possível observar participação ativa nas discussões entre as equipes sobre as produções dos podcasts.

 

Com relação aos questionamentos sobre o programa Audacity e suas ferramentas, notou-se que as dúvidas foram várias, mas de acordo com o decorrer das explicações da professora, os alunos foram se familiarizando melhor com o software e entendendo as ferramentas de edição.

 

Em sequência, a aula 4 apresentou como proposta a gravação dos textos produzidos pelos grupos. Dessa forma, no Laboratório de Informática e com o auxílio dos aparelhos de celulares e iPods dos próprios alunos, foi feito o trabalho de gravação do material elaborado pelas equipes.

 

Pode-se afirmar que a maior dificuldade deste trabalho de gravação foi com relação à infraestrutura do laboratório de Informática do colégio, pois havia apenas oito computadores do ProInfo com o programa Audacity disponível para os alunos. A turma foi organizada em sete grupos com cerca de quatro alunos cada, mas o espaço era pequeno para todos trabalharem ao mesmo tempo. Assim, os grupos se revezaram no uso dos computadores. A maioria gravou os textos nos celulares para depois baixar no Audacity e colocar os recursos que escolheram.

 

Sobre a aula 4, observou-se entusiasmo nas discussões das equipes a respeito dos textos gravados e as possibilidades de edição do material. Os alunos se mostraram motivados durante a elaboração do trabalho; discutiram bastante as opções de músicas e sons para efeitos nos áudios e alguns grupos preparam entrevistas com outras pessoas sobre o tema pichação, incluindo moradores do bairro, alunos do colégio e policial da Patrulha Escolar.

 

Assim, a produção do material solicitado foi iniciada no formato a ser gravado em MP3.

Dando continuidade ao trabalho, a aula 5 teve como objetivo concluir a produção dos podcasts. Nesta aula, os grupos ficaram à vontade para finalizar seus trabalhos no Audacity. A maioria já estava com o material quase concluído, faltavam apenas alguns ajustes e efeitos. As equipes que prepararam entrevistas já trouxeram para a aula o material gravado pronto para a edição. Os alunos se organizaram de forma positiva e aproveitaram bastante o tempo para trocar ideias e discutir o que achavam que deveria ser alterado e melhorado nos trabalhos. A apresentação do material finalizado foi agendada para o dia 10 de junho, para que todos os grupos conseguissem se organizar adequadamente e entregar os arquivos no formato MP3 para publicação e divulgação na internet.

 

Como pontos a serem observados na aula 5, identificou-se o grau de interação/participação entre os alunos. Neste aspecto, notou-se que os grupos tiveram um bom grau de interação e participação, trabalhando de forma produtiva na seleção do material e escolha dos efeitos de som, música e recursos de edição. 100% dos alunos trabalharam nas equipes.

 

Sobre os embasamentos e argumentações dos alunos nas discussões dos grupos, percebeu-se que houve bastante discussão na realização dos trabalhos até as versões finais do material produzido.

 

Os alunos fizeram comentários como:

 

            “É mais interessante colocar como música de fundo uma música que fala sobre a pichação” (Aluna Alicia, grupo 3).

            “Como vamos fazer nosso trabalho no formato de jornal, podemos buscar na Internet a vinheta do Jornal Nacional para colocar em nosso áudio” (Aluno Jeander, grupo 4).

            “Seria legal fazer a encenação de uma pessoa sendo flagrada pichando e colocar efeitos de latas de spray sendo usadas ao fundo” (Aluno Brendon, grupo 2).

            “Vamos simular um debate em sala, com o estilo do programa Altas Horas, quando os jovens dão sua opinião” (Aluna Naiany, grupo 7).

            “Podemos falar sobre o grafite, usar uma música de hip hop ao fundo e finalizar pedindo para grafitar a escola” (Nicolas, grupo 3).

            “Vamos pesquisar na internet o comercial que fala que pichação é crime e deve ser denunciada e colocar no final do nosso áudio” (Aluno Rafael, grupo 7).

 

Assim, foi concluída nesta aula a gravação do material em MP3.

Finalizando os trabalhos, a aula 6 teve como objetivos expor o material produzido à turma e divulgar as produções dos alunos à comunidade, utilizando recursos das Tecnologias da Informação e da Comunicação. Dessa forma, foi possível trabalhar também a valorização da escola e da comunidade pelos alunos.

 

Para tanto, as equipes que prepararam os arquivos de áudio fizeram a apresentação dos seus podcasts à turma através da exposição na TV Multimídia, no formato MP3.

 

Os trabalhos dos alunos foram estruturados conforme tabela 4, com relação às características do material gravado (ver Apêndices).

 

A transcrição dos roteiros produzidos por todos os grupos encontra-se também nos Apêndices deste trabalho – ver ROTEIROS DOS PODCASTS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS.

 

Após a exposição em sala de aula, os arquivos foram entregues à professora, que fez a publicação no site de hospedagem de áudio: https://soundcloud.com. Em seguida, um blog foi criado especificamente para fazer a divulgação do material: http://podcastscontrapichacao.blogspot.com.br/, onde os podcasts foram disponibilizados em links e as atividades da Campanha contra a Pichação realizadas desde o início de 2012 foram divulgadas juntamente aos arquivos de áudio.

 

Os endereços da internet acima mencionados foram expostos no mural do colégio, para que os demais alunos e a comunidade em geral tenham acesso ao material produzido.

 

 

5. DISCUSSÃO

 

O desenvolvimento deste projeto transcorreu de forma positiva e envolveu todos os alunos da turma do 9º ano “C”. Cada etapa foi desenvolvida de forma satisfatória, podendo-se afirmar que os alunos foram além das expectativas e dos objetivos iniciais, uma vez que se envolveram nas atividades e realizaram as produções propostas em grupo de forma coletiva e totalmente empenhada.

           

Nos comentários e discussões produzidos pelos alunos, foi possível perceber que compreenderam o conceito que podcasts, que "é um modo de difusão de emissões de rádio e arquivos de áudio", segundo Moura e Carvalho (2013, p. 8). Além disso, entenderam a diferenciação de grafite e pichação, segundo a Lei nº 9.605/98.

 

Com base nas produções dos alunos e observando a motivação em realizar as atividades deste projeto, ficou comprovado o que Moran (2005, p. 19) afirma em relação à educação, que “educar também é aprender a gerenciar tecnologias, tanto de informação quanto de comunicação”. Para Moran, é necessário “ajudar a perceber onde está o essencial, e a estabelecer processos de comunicação cada vez mais ricos, mais participativos”.

 

Nas aulas no Laboratório de Informática, foi possível observar que cada aluno superou suas próprias potencialidades, participando de diferentes maneiras da escolha das músicas, efeitos, criação dos textos e edição dos áudios, comprovando que o uso das mídias é totalmente positiva no ambiente escolar, conforme afirma Moran:

 

As diferentes mídias como o rádio, a televisão, computador, jornal, revistas, celular, outros, são recursos extremamente importantes que devem ser incorporados ao cotidiano escolar, proporcionando aos alunos a oportunidade de expandir sua percepção do mundo e ampliar suas perspectivas de aprendizagem, envolvendo-os em trabalhos cooperativos e solidários, num ambiente de autonomia e liberdade (Moran, 2007b, p. 40).

 

O trabalho com as mídias comprova ainda as afirmações de Castro (2000), segundo o qual as Tecnologias da Informação são recursos que auxiliam o professor no processo de ensino aprendizagem, transmitindo o conhecimento de uma forma mais criativa, dinâmica e oferecendo o direito de estudar e aprender com mais atratividade e interação, estimulando o interesse por novos assuntos. Para Castro, trata-se de um instrumento para alcançar novos horizontes educacionais.

 

Sob esta perspectiva, pode-se mencionar também as produções dos textos feitas pelos grupos, que foram organizadas com muita atenção pelas equipes, depois de ampla discussão e troca de ideias, tendo como base as explicações sobre as características do texto radiofônico feitas pela professora.

 

Conforme Lévy (2001), o professor deve procurar ter um trabalho colaborativo e participativo com os alunos, e estes devem ter a oportunidade e o preparo para interagirem com os diversos temas que perpassam o ambiente escolar. Todo esse processo propicia uma inteligência coletiva, e neste trabalho o tema pichação norteou a prática dos alunos e comprovou as ideias apresentadas.

 

De acordo com Lévy (2001):

 

... é preciso colocar as pessoas nessa situação de curiosidade, nessa possibilidade de exploração. Não individualmente, não sozinhas, mas juntas, em grupo. Para que tentem se conhecer e conhecer o mundo a sua volta. Uma vez compreendido esse princípio básico, todos os meios servem. Os meios audiovisuais, interativos, os mundos virtuais, os grupos de discussão, tudo o que quisermos... (Levy, 2001, on line)

 

Durante as exposições dos áudios produzidos pelos grupos, foi possível verificar que os alunos atentaram muito para as produções dos colegas, dando opiniões sobre os trabalhos dos outros grupos e aprovando os podcasts das demais equipes, fato que comprova Moran (2007a) a respeito da importância da interação e socialização das produções entre os alunos, que complementa o trabalho em sala de aula: “o aluno e o professor (...) divulgam seus projetos e pesquisas, são avaliados por terceiros, positiva e negativamente. (...) A divulgação hoje faz com que o conhecimento compartilhado acelere as mudanças necessárias e agilize as trocas entre alunos, professores, instituições” (Moran, 2007a, p. 12).

 

Na data agendada para a exposição dos podcasts à turma, os alunos se mostraram extremamente empolgados e motivados, principalmente porque estavam exibindo o resultado do que fizeram aos demais colegas sobre um tema relacionado ao seu cotidiano. Assim, conforme Prado (2005, p. 55), a melhor forma de ensinar é aquela que propicia aos alunos o desenvolvimento de competências para lidar com as características da sociedade atual, que enfatiza a autonomia do aluno para a busca de novas compreensões, por meio da produção de ideias e de ações criativas e colaborativas.

 

Ainda segundo Prado (2005, p. 55), “o envolvimento do aluno no processo de aprendizagem é fundamental”. Para isso, a escola precisa favorecer ao educando que ele encontre sentido e funcionalidade naquilo que constitui o foco dos estudos em cada situação da sala de aula. Além disso, da mesma forma é necessário propiciar “a observação e a interpretação dos aspectos da natureza, sociais e humanos, instigando a curiosidade do aluno para compreender as relações entre os fatores que podem intervir nos fenômenos e no desenvolvimento humano”.

 

Para Prado (2005), é essa forma de aprender de maneira contextualizada que possibilita ao estudante relacionar aspectos presentes da vida pessoal, social e cultural, mobilizando assim as competências cognitivas e emocionais já adquiridas para novas possibilidades de reconstrução do conhecimento.

A publicação dos podcasts na internet deixou os alunos ainda mais motivados. É o resultado de um trabalho que sai do ambiente fechado da sala de aula e chega até a comunidade, assim como afirma Moran (2005), segundo o qual “a motivação aumenta, se os alunos são estimulados a produzir algo concreto, algo que pode ser apresentado.” (Moran, 2005, p.19).

 

Pode-se afirmar, a partir do trabalho realizado com a turma do 9º ano “C” do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, que a prática de atividades como esta em sala de aula contribui na formação de cidadãos mais conscientes de suas capacidades e potencialidades, bem como de sua função na sociedade. Conscientizar sobre um tema como a pichação e agir em prol da melhoria do espaço escolar são ações que empenharam os alunos em atividades que terão reflexos a longo prazo e, certamente, muito além do ambiente educacional.

 

 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Durante a realização das atividades de produção dos áudios sobre o tema pichação, foi possível observar que os alunos tiveram reações positivas com relação ao trabalho de conscientização através do uso de podcasts.

 

De uma maneira geral, o grafite foi colocado em destaque pelos grupos. As equipes valorizaram de forma evidente os desenhos grafitados no ano anterior nas instalações do colégio, que substituíram as antigas pichações e trouxeram uma nova aparência ao ambiente escolar. Assim, apoiaram a prática do grafite como medida de combate à pichação na escola.

 

Notou-se que os alunos da turma do 9º ano “C” mostraram atitudes de negação aos atos de vandalismo contra o colégio e apoiaram as ações da equipe escolar a favor da antipichação. A partir do estudo de caso aqui desenvolvido, observou-se que todos concordaram que o trabalho de conscientização trouxe resultados positivos, considerando ainda o fato de que os desenhos de grafite produzidos pelos próprios alunos não foram pichados durante o período de férias escolares e continuam preservados.

 

Além disso, os materiais de áudio gravados pelos grupos comprovam as potencialidades da utilização do podcast como suporte na criação de consciência e alteração de comportamento dos alunos contra a Pichação na escola.

 

Portanto, o trabalho alcançou o objetivo de incentivar os alunos na criação e divulgação de mensagens a favor da Campanha contra a Pichação do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, bem como mobilizar a comunidade no combate à pichação e preservação dos grafites criados no espaço escolar.

 

Dessa forma, conclui-se que as Tecnologias da Informação e Comunicação – em especial os podcasts e arquivos de áudio - são de fato ferramentas com amplas possibilidades de trabalho e grande auxílio para o professor em sala de aula, podendo alcançar resultados positivos na prática docente.

Bittencourt et al. (2004) reitera que o uso das metodologias tecnológicas em sala de aula levam o aluno a “aprimorar a sua capacidade de aprender e de trabalhar de forma colaborativa, solidária, centrada na rapidez e na diversidade qualitativa das conexões e das trocas”, aspectos essenciais para a boa convivência na atual sociedade modernizada.

 

O uso das mídias na educação se configura, no contexto de sala de aula, uma ferramenta cujo objetivo não consiste na substituição do método pedagógico atual, mas sim no auxílio ao desenvolvimento das atividades educacionais. Através das mídias, o aluno pode aprender com maior facilidade os conteúdos específicos de forma crítica e participativa.

 

Logo, as mídias na sala de aula permitem o estabelecimento de uma “ponte” no contexto escolar. Ao mesmo tempo em que revela os conteúdos de forma mais ágil, possibilita ao aluno aplicá-los e trazê-los, de forma integrada, ao seu cotidiano, articulando a interação entre alunos e professores.

 

Assim, contribui significativamente para facilitar a conectividade e melhorar a integração entre docentes e discentes, permitindo ao aluno estabelecer “conexão” a tudo que o rodeia, ao que observa no seu universo intrínseco e no seu dia a dia.

 

Neste sentido, Moran (2007b) afirma que a escola, a partir dos recursos midiáticos:

 

... abre-se para o mundo; o aluno e o professor se expõem (...) A escola contribui para divulgar as melhores práticas, ajudando outras escolas a encontrar seus caminhos. (...) A escola sai do seu casulo, do seu mundinho e se torna uma instituição onde a comunidade pode aprender contínua e flexivelmente. (Moran, 2007b, p. 12)

 

 

Um dos grandes desafios do educador é transformar a sua aula em um ambiente interessante para o aluno. É verídico que o aluno se interessa por aulas diferenciadas, segundo Haydt (1988), “uma maneira de conseguir um clima de aprendizagem é tornar a aula o mais fascinante possível”, e os recursos midiáticos oferecem indiscutivelmente esta opção de diferenciação, uma vez que são capazes de prender a atenção dos alunos e motivá-los para a busca do conhecimento, tanto mediados pelo professor como por iniciativa própria.

 

 

REFERÊNCIAS

 

ACERT. Campanha de Conscientização Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=vr1iCg62d2U&list=PL1695F42E178585DD> Acessado em 24/04/2013

 

ANDRADE, A. E. N. M., CIRELLI, R. A. Polifonia em slogans. In: Revista Letra Magna. Ano 02. n. 02, 15 p., 1995.

 

BITTENCOURT, C. S.; GRASSI, D.; ARUSIEVICZ, F.; TONIDANDEL, I. Aprendizagem colaborativa por computador. Novas Tecnologias na Educação, v. 2 n. 1, Março/2004, p. 1-5.

 

BRASIL. Código Penal. Decreto-Lei 2848, de 07 de dezembro de 1940. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848>.htm. Acessado em 05/04/2012.

 

BRASIL. Lei 9.605/98, de 12 de fevereiro 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm Acessado em 05/04/2012.

 

CANEVACCI, M. A Cidade Polifônica. São Paulo: Livros Studio Nobel Ltda., 1993.

 

CASTRO, M. L. D. de, et al. Mídias e processos de significados. UNISINOS. Rio Grande do Sul, 2000.

 

COZI, T. Comerciais de rádio. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=-91AD6HieSw> Acessado em 24/04/2013

 

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo. Atlas, 2002.

 

HAYDT, R. C. Avaliação do Processo Ensino-Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1988.

 

https://soundcloud.com  Acessado em 12/06/13.

 

INFANTE, I. Emissões Livres. In Revista Exame Informática, n 130, Abril, 106-109, 2006.

 

KENSKI, V. As tecnologias invadem nosso cotidiano. In: Integração das Tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, Brasília: Ministério da Educação, 2005.

 

LEVY, P. Entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura em 08 de Janeiro de 2001. Vídeo disponível no site <www.youtube.com> Acessado em 16/06/13.

 

MENTA, E.; BARROS, G. C. Podcast: Quebrando o silêncio na integração de mídias na Educação. Revista de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación. vol. IX, n. 1, 2007.

 

MORAN, M. J. A Educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. 2. ed. Campinas, SP: Papirus Editora, 2007a, v. 1.174 p.

 

_______. As mídias na educação. In: Desafios na Comunicação Pessoal. São Paulo: Paulinas, 2007b, p. 162-166.

 

_______. Desafios da televisão e do vídeo à escola. In: Integração das Tecnologias na Educação. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, Seed, 2005. 204 p.

 

_______. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas S/P: Papirus, 2007c.

 

MOURA, A.; CARVALHO, A. A. Podcast: Potencialidades na Educação. Disponível em: <http://revistas.ua.pt/index.php/prismacom/article/viewFile/623/pdf> Acessado em: 20/04/2013

 

MILLANI, F. Propagandas de rádio. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=39uf5iAHFYA&list=PL1695F42E178585DD> Acessado em 24/04/2013

 

NETO, J. A. M. Tecnologia educacional: formação de professores no labirinto de ciberespaço. Rio de Janeiro: MEMVAVMEM, 2007, 126 p.

 

PRADO, M. E. B. B. Articulações entre áreas de conhecimento e tecnologia - Articulando saberes e transformando a prática. In: Integração das Tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, Brasília: Ministério da Educação, 2005.

 

SENAC. Evolução dos Meios de Comunicação. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3cjQnPfVJ3U> Acessado em 24/04/2013

 

SILVA, G. A.P. Podcasts contra Pichação. Disponível em: <http://podcastscontrapichacao.blogspot.com.br> Acessado em 12/06/13.

 

SPINELLI, L. Pichação e comunicação: um código sem regra. Revista Logos, n. 26, 2007.

 

XAVIER, F. A aula. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=-ATrFLoeuIA> Acessado em 24/04/2013

 

YIN, R. K. Estudo de caso: Planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2001.

 


APÊNDICES

  

TABELA 2 – PLANEJAMENTO DO TRABALHO

 

AULA 1

 

Objetivos

 

Perceber os avanços nos meios de comunicação no decorrer dos tempos.

Conceituar Podcasts.

Relacionar a produção de Podcasts à continuidade da Campanha contra a Pichação realizada no colégio no ano de 2012, usando este assunto como tema principal da produção dos áudios.

Conhecer os elementos do texto radiofônico.

 

Atividades

 

Assistir ao vídeo: “Evolução dos Meios de Comunicação” (8:39)

Debate sobre a mídia rádio e presença do áudio no cotidiano das pessoas.

Leitura do material escrito sobre o texto radiofônico e suas características.

Observação

Número de alunos que estão prestando atenção no vídeo.

Interação entre os alunos/ comentários sobre o vídeo durante a apresentação.

Discussão entre os alunos e perguntas ao professor após a apresentação dos recursos audiovisuais.

Comentários sobre o tema podcast e suas possibilidades de uso para o trabalho de conscientização contra a Pichação.

AULA 2

 

Objetivos

Conhecer as características da redação do texto radiofônico: o que é Lead, roteiro, pauta, entrevista e reportagem.

Treinar a criatividade na elaboração de ideias para texto radiofônico.

 

Atividades

 

Trabalho em grupos sobre diferentes perspectivas para um mesmo anúncio: Elaboração de títulos ao anúncio do produto fictício “BZZZ”.

Apresentação das produções dos grupos.

Entrega de modelo de pauta e roteiro para a organização dos grupos na produção dos áudios sobre pichação.

Orientações para o início da escrita dos textos que serão transformados em podcasts.

Observação

Interação com o tema apresentado.

Participação dos alunos na atividade.

Entusiasmo nas discussões das equipes sobre o tema abordado.

Produção do material solicitado.

Questionamentos e comentários sobre as apresentações dos grupos.

AULA 3

 

Objetivos

 

Analisar vídeos com exemplos de áudios gravados para rádios, relacionando-os aos textos a serem escritos sobre pichação.

Escrever os textos sobre a Campanha contra a Pichação para serem gravados em áudio.

Conhecer o Software Audacity e as ferramentas para gravar e editar áudios.

 

Atividades

 

Vídeo com exemplo de quadro humorístico em áudio, episódio do personagem “Homem Cueca”: “A aula” (2:18).

Vídeos: “Campanha Meio Ambiente” (1:48); “Comerciais de rádio” (1:54);

“Propagandas de rádio” (0:30); “Propagandas de rádio” (2:35).

Em grupos de até 4 alunos, será feita a escrita dos textos sobre a pichação que serão posteriormente transformados em podcasts.

Com o uso de projetor de multimídia, será feita a apresentação de slides sobre o software Audacity e as explicações sobre suas ferramentas e possibilidades de trabalho.

Gravação de áudio para exemplo de trabalho.

Observação

Número de alunos que estão prestando atenção nos vídeos.

Interação entre os alunos/ comentários sobre os vídeos durante a apresentação.

Discussão entre os alunos e perguntas ao professor após a apresentação dos recursos audiovisuais.

Questionamentos sobre o programa Audacity e suas ferramentas.

AULA 4

Objetivos

Gravar os textos produzidos pelos grupos.

Atividades

No laboratório de Informática e com o auxílio dos aparelhos de celulares e iPods dos alunos, será feita a gravação do material produzido pelos grupos.

Observação

Organização dos grupos.

Entusiasmo nas discussões das equipes sobre os textos gravados e possibilidades de edição do material.

Produção do material solicitado.

AULA 5

Objetivo

Concluir a produção dos podcasts.

Atividade

No laboratório de Informática, será feita a finalização da gravação do material produzido pelos grupos.

Observação

Grau de interação/participação entre os alunos.

Embasamentos e argumentações dos alunos nas discussões dos grupos.

Produção do material solicitado.

AULA 6

 

Objetivos

Expor o material produzido à turma.

Divulgar as produções dos alunos à comunidade, utilizando recursos das Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Trabalhar a valorização da escola e da comunidade.

Atividades

Os grupos de alunos farão a exposição de seu material à turma e posterior publicação na internet.

Observação

Interação dos alunos durante a exposição dos trabalhos produzidos.

Participação na apresentação dos trabalhos dos outros grupos.

Questionamentos e comentários sobre o material exposto.

Valorização do trabalho dos colegas.

 

TABELA 2 – PLANEJAMENTO DO TRABALHO

Fonte: a autora (2013)

 

 

TABELA 3 - NÍVEL DE ATENÇÃO DOS ALUNOS AO VÍDEO

 

TOTAL DE ALUNOS

PORCENTAGEM

21 de 27 alunos prestaram atenção ao vídeo

78%

6 de 27 alunos não prestaram atenção ao vídeo

22%

14 de 27 alunos fizeram comentários

52%

13 de 27 alunos não fizeram comentários

48%

TABELA 3 - NÍVEL DE ATENÇÃO DOS ALUNOS AO VÍDEO

Fonte: a autora (2013)

 

 

TABELA 4 - CARACTERÍSTICAS DOS PODCASTS

 

CARACTERÍSTICAS DOS PODCASTS

TEMPO MÉDIO

DOS ÁUDIOS

USO DE MÚSICA

ON

USO DE MÚSICA  FUNDO

USO DE EFEITOS

USO DE TEXTO

USO DE ENTREVISTA

2:32 min

85%

40%

100%

100%

60%

TABELA 4 - CARACTERÍSTICAS DOS PODCASTS

Fonte: a autora (2013)

 


 

ROTEIROS DOS PODCASTS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS

 

 

ROTEIRO GRUPO 1

ALUNOS: Adriele Caroline S. Euri, Beatriz Momm Marzczaokoski, Jhader A. Ribeiro.

TEMPO DO ÁUDIO: 1:41 min

 

Inicia música de fundo, estilo rap sobre o tema pichação.

Toque da música. Diálogo entre os rapers.

“E aí, Pablo, ‘vamobora’ pro rolé, véio?

Não, cara, já parei...”

Toque da música. O rap começa:

Eu pichava sim, e curtia muito, eu me lembro bem de cada segundo.” (repete)

Abaixa o volume do áudio.

(Surge efeito de som de bomba explodindo e sirene tocando).

Aluna 1: Estamos aqui no Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves para falar um pouco sobre pichação.

Aluna 2: Se você vir alguém pichando, comunique a direção ou alguém responsável

para que alguma prevenção seja tomada contra isso.

Aluna 1: Pichação é crime.

Alunas 1 e 2:  Não cometa esse erro!

Aluna 1: Colabore com sua escola!

Aumenta o volume da música, continua o rap.

“Pichação é um degrau para a criminalidade

Começa a roubar, pratica um 12,

É um perigo para a sociedade.

Eu nunca fiz parte, eu nunca farei

Parte do time do crime

Só gera discórdia, lá na quebrada

Quero que isso tudo termine...”

(Volta efeito de som de bomba explodindo e sirene tocando).

Alunas 1 e 2: Pichação é crime. Não cometa esse erro! (repete 3 vezes)

(Toque de fundo da música para encerrar o áudio).

Abaixa o volume. Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 2

ALUNOS: Alex Douglas Ferreira, Brendon Fortes Leite, Calita Rafaelle da Silva, Vitor Virgílio S. Domingues.

TEMPO DO ÁUDIO: 1:17 min

 

(Surge efeito de som de barulho de lata de spray sendo utilizada).

(Repetição do efeito de som duas vezes).

Aluno 1: Vamos ver agora alguns atos de vandalismos. Um exemplo deles é a pichação.

(Repete o barulho do efeito de som de lata de spray sendo utilizada, simbolizando alguém pichando o colégio. Repetição do efeito de som duas vezes).

Aluno 1: Pichação é um crime. Vejamos mais.

(Inicia barulho de alguém me movendo e pichando).

Sussurros.

Aluno 1: Parece que estão pichando aqui.

Suspense.

Barulho de flagrante. Susto.

Risos e passos correndo.

Aluno 1: Espera aí!!! Espera aí!!! Espera aí!!! Deixa eu conversar com você...

(Barulho de uma pessoa que sai correndo).

Gritos e correria.

Aluna 2: Ai, aiii.... (fala em voz baixa) Eu não ‘tava’ fazendo pichação não...

Aluno 1: (voz de cansaço) Vem aqui, vamos fazer uma entrevista com você, menina!

(Barulhos de passos).

Risos.

Aluno 1: Calma, calma, calma... Ninguém vai fazer nada aqui.

(Ruídos). Param de correr.

Aluno 1: Por que você tá fazendo isso? Sabe que é um crime?

Aluna 2: Não, tio, não sou eu não, não sou eu não...

Aluno 1: Você acha isso bonito?

Aluna 2: Não, tio, eu não ‘tô’ pichando não...

(Ruído da menina se afastando).

O aluno repórter a chama.

Aluno 1: Vem aqui, menina.

(Barulho de aproximação).

Aluno 1: Olha para a sua cara...

(Ruídos).

Aluno 1: Encerramos aqui. Produção, ligue para a polícia que nós iremos ‘prender ela’. Pichação é crime. Nunca piche.

Silêncio. Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 3

ALUNOS: Alicia Dias Zanoli, Danilo G. Cornelio, Nicolas T. Alves da Rosa, Vitor A. da Silva .

TEMPO DO ÁUDIO: 2:43 min

 

Inicia efeito de som, com barulhos de metais.

(Surge efeito de lata de spray, em tom baixo). 

Toque da música, estilo hip hop americano.

Aparece fundo musical mais rápido. O volume abaixa.

Aluna 1: O grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos.

Fundo musical estilo tecnologia.

Aluna 2: Ele expressa toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos. Ou seja... o grafite...

(Aumenta o volume do fundo musical estilo tecnologia).

Fundo musical. Abaixa o volume.

Aluna 1: O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao hip hop.

(Aumenta o volume do fundo musical estilo tecnologia).

Fundo musical por alguns segundos. Abaixa o volume.

Aluna 2: O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970 em São Paulo.

(Aumenta o volume do fundo musical. Os toques da música são parados e reiniciados por três vezes, causando um efeito sincronizado).

Nova música.

Aluna 1: Depois, foi se espalhando em todo o Brasil, ganhando um estilo próprio.

(Fundo musical).

Aluna 2: De um lado, o grafite desempenhado com qualidades artísticas. Do outro, não passa de poluição visual e vandalismo.

(Fundo musical mais rápido).

Pausa.

Aluno 3: Campanha contra a Pichação do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves. Cuide da sua escola. Não piche. Grafitar é bem melhor.

(Efeito de som, barulho de spray grafitando).

Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 4

ALUNOS: Jailson G. de Lima, Jeander Silva Muniz, Jorge L. da Silva, Maria Julia L. Bonfim.

TEMPO DO ÁUDIO: 2:38 min

 

Inicia música, estilo rap sobre o tema pichação.

Toque da música. O rap começa:

Mãe, me desculpe eu não ser seu doutor.

Sou pichador, não se criou...

Admirado por uns, criticado por outros

Artista pros amigos e pros ‘artista’ do morro

Eu sei que a senhora se preocupa

Quando eu estou fazendo isso na rua

Não se preocupe mãe, que eu sei me virar

Não se preocupe, mãe

Mais tarde eu vou voltar...”

(Efeito de som de explosão).

Silêncio.

Aluna 1: O Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves está desenvolvendo uma Campanha contra a Pichação desde 2012. E nós, alunos do 9º ano “C”, percorremos o bairro de nossa escola, o bairro Santa Tereza, de Colombo, Paraná, para saber o que os moradores pensam sobre a pichação que está em todos os lugares. Vamos lá!

Aluna 2: (entrevistando um morador) O que o senhor acha aqui sobre essa pichação?

Morador do bairro: Ah, isso ai é crime.

(Barulho de carro passando ao fundo).

Aluno 3: Mal consertam as coisas e já ‘tá’ tudo óh... estragado...

Morador do bairro: Ah, isso ai é estragar as coisas... que o estado faz, que o proprietário faz...

Aluno 3: O que é que o senhor acha que tem que fazer com os pichadores?

Morador do bairro: Ah, tem que prender né...

Aluno 3: Prender... é... Mas o difícil é descobrir né...

Morador do bairro: Ah, mas descobre né...

Aluno 3: É. Mas tem que colocar uns guardas.

Aluna 2: Guardas... é isso mesmo!

Morador do bairro: São desocupados aí que fazem isso... Não trabalham, não estudam também e ficam fazendo isso aí.

(Barulho de automóvel ao fundo).

Morador do bairro: Se tem compromisso, estudo, tá com ‘as matéria’ na mente, não tem tempo pra ficar fazendo isso aí.

Aluna 2: É verdade.

Aluno 3: É... ‘tá’ passando um carro aqui agora e vai atrapalhar a gente um pouquinho.

(Barulho de automóvel ao fundo).

Aluno 3: Aquele barracão ali, parece que ‘tá’ abandonado, mas pode acreditar que não ‘tá’, tem gente que trabalha ali dentro, pode ver lá que não ‘tá’ fechado.

(Pausa).

Aluna 1: Vamos saber a opinião de um comerciante local que tem o seu estabelecimento pichado constantemente.

Aluno 3: (entrevistando um comerciante) O que o senhor ‘tá’ achando dessa pichação que ‘tá’ tendo aqui nesse bairro?

Comerciante: Eu acho que isso aí é um mau gosto e uma pobreza geral dessa juventude que faz coisa errada...

Aluno 3: O que o senhor acha que deveriam fazer se encontrarem os pichadores?

Comerciante: Eu acho que eles devem pagar pelos crimes que eles estão cometendo, né, porque pichação é crime, é previsto em lei que é crime isso aí, então eles vão ter que responder pelo crime. Na verdade, eu acho que eles deveriam se organizar e ao invés de pichar, fazer um grafite. Grafite de cunho artístico...

(Efeito de bomba explodindo).

Silêncio.

Vinheta do Jornal Nacional.

Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 5

ALUNOS: Gabriel de Lima, Guilherme D. de França, Felipe F. Grein, Robson B. Fernandes.

TEMPO DO ÁUDIO: 3:38 min

 

Toque de música, estilo rock pop americano.

Abaixa o volume.

Aluno 1: Combater a Pichação é combater o vandalismo. Com o apoio da Patrulha Escolar, o Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves busca combater este problema e oferecer uma escola muito melhor. Conscientizar é agir!

(Pausa).

Toque de música. Abaixa o volume.

Policial da Patrulha Escolar: É, iniciamos uma Campanha de Conscientização em parceria com a escola, de modo que nós consigamos alcançar tanto os alunos quanto o grupo externo que mora no bairro nessa campanha contra a Pichação. Nós vamos definir aos alunos e conscientizá-los sobre os trabalhos preventivos que nós realizamos através do Batalhão Escolar de Patrulha Comunitária e também com uma parceria com os policiais que atuam na área, traremos informações sobre conscientização para não pichar. A escola Tancredo Neves e o bairro são alvos de várias pichações e o objetivo desta campanha é que nós conscientizemos todos os alunos e também algumas pessoas do bairro a trabalharem como parceiras desta escola. Então, uma vez que nós tenhamos todos trabalhando na forma de parceria, este ambiente escolar será modificado para melhor.

(Toque de música. Abaixa o volume).

Aluno 2: Como está sendo o trabalho da Patrulha no Colégio?

Policial da Patrulha Escolar: É importante nós destacarmos que nós estamos em uma ação preventiva na escola. O trabalho da Patrulha Escolar está sendo preventivo, aliado à Campanha que a professora Geane Poteriko está realizando na escola com o intuito de conscientizar os alunos de todas as séries sobre a diferenciação do trabalho de grafitagem e a pichação. Então a ideia é conscientizar o aluno de que pichar não é legal e que o grafite é uma exposição de arte. Então, se conseguirmos conscientizar a todos os alunos teremos uma escola mais limpa, sem pichação, e uma escola mais favorável ao ambiente da educação.

(Toque de música. Abaixa o volume).

Aluno 2: Então, a gente gostaria de saber como os alunos nas palestras estão recebendo as informações obtidas?

Policial da Patrulha Escolar: Nossa... os alunos estão sendo receptivos com o trabalho, estão perguntando, estão tirando as curiosidades, principalmente sobre a parte policial. Nós somos policiais militares, então nós temos conhecimento de como ocorre o encaminhamento, de qual é a responsabilidade, e do que acontece. O aluno hoje pensa que não dá nada pichar, a maioria dos alunos que passam por nossas palestras pensam que não dá nada, mas há sim a responsabilidade, e é essa a principal curiosidade dos alunos.

(Toque de música. Abaixa o volume).

Aluno 1: Participe desta Campanha!

Toque de música.

Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 6

ALUNOS: Nubia Carolina G. Ramos, Laura Esteffane Palmar, Igor Bueno Ferreira.

TEMPO DO ÁUDIO: 2:40 min

 

Inicia música de fundo, estilo rap sobre o tema pichação.

Toque da música. O rap começa:

A operação age desde a madrugada.

As ‘gang’ do spray estão na parada,

Ação detonando breque

ou na baforada...

 Abaixa o volume do áudio.

Aluno 1: Bom dia, hoje vamos relatar ações do Colégio Estadual Tancredo de Almeida Neves, onde vândalos estão invadindo e destruindo o patrimônio público, sendo que  estão pichando e quebrando tudo. Agora, iremos com a nossa jornalista, que está dando sua opinião sobre este assunto.

Aluna 2: Estamos aqui do lado do professor Thiago para ver o que ele acha sobre pichação. Professor, o que você acha sobre os atos de vandalismo ocorridos aqui no colégio?

Professor: Bom, eu acho que são pessoas que não têm habilidade para fazer algo melhor, como o grafite.

Aluna 2: Quais métodos vocês estão utilizando para prevenir a pichação aqui na escola?

Professor: Na escola, eu acho que precisa mais de conscientização. Pode-se punir, mas eu acho que a conscientização é melhor.

Aluna 2: Obrigada.

(Silêncio).

Aluna 3: (andando pelo colégio) Estes foram os atos de vandalismo ocorridos no colégio. Como você estão vendo, este é um dos lugares mais pichados do Tancredo Neves.

(Barulhos ao fundo de alunos jogando bola na quadra de esportes. Som de Bola batendo).

Aluna 3: Agora, na minha opinião, se eles usassem toda esta parte que está pichada para o grafite, seria muito melhor pros alunos e pra todos que não têm nada o que fazer. Voltamos agora aos estúdios.

Aluna 1: Encerramos o jornal escolar. Tenham um bom dia. Até a próxima.

(Toque da música mais alto).

Abaixa o volume do áudio.

Encerra.

 

 

ROTEIRO GRUPO 7

ALUNOS: Naiany T. Vieira Lima, Pamella F. Gontijo, Rafael R. de Jesus, Rafael R. da Silva.

TEMPO DO ÁUDIO: 3:09 min

 

Inicia música de fundo, estilo rap.

Abaixa o volume do áudio.

Aluna 1: Então, a gente vai conversar um pouco sobre a pichação. Quem quer dar sua opinião primeiro?

Aluna 2: Não, primeiro nós vamos fazer uma pergunta: Assim... Vocês teriam vontade de pichar, se algum dia alguém oferecesse?

Aluno 3: Sim!

Aluna 4: Não, não pode!

Aluna 5: Não!

Aluno 3: Por que não?

Aluna 2: Pera aí, gente... um de cada vez!

Vários alunos: Eu... eu... eu... eu...

Aluna 2: Fale! Lucas...

Aluno 3: Teria...

Alunas 1 e 2: Por quê?

Aluno 3: Pra marcar território! (risos)

(Descontração no grupo).

Aluna 2: E você picharia, por acaso, sua casa pra marcar território? (Conversas).

Aluna 1: E você?

Aluna 2: Vai...

Aluna 5: Eu não teria. Eu só aceitaria se fosse pra grafitar, se a pessoa deixasse, mas pichação não, porque é fora da lei.

Todos: Ohh...  (Aplausos).

Aluna 1:  E você, por que picharia?

Aluno 3: ‘Por causa’ que é legal... ué, eu picharia...

Aluna 2: Você acha “legal” pichar?

Aluno 3: Ahamm... (Discussão geral).

Aluna 1: Você acha “legal” ir preso também?

Aluno 3: (em tom de deboche) Mais ou menos, dependendo da cadeia...

(Descontração e conversas).

Aluna 2: Faz uma pergunta...

(Descontração da turma).

Aluno 3: Pichação é um crime.

(Conversas paralelas).

Aluna 2: Gente, isso é sério, sabia?

Aluno 3: Eu acho que grafite é uma arte e que pichação é crime. E que as pessoas poderiam fazem arte ao invés da pichação.

Alunos: (Conversam ao mesmo tempo) Pichação é um crime, grafite é arte...

Aluna 2: Cada um tem sua opinião, então...

(Toque de notas musicais ao fundo).

Voz em off.

Narrador: “Não deixe que vândalos sujem a nossa cidade. Pichação é um crime e você pode ajudar a combater. Denuncie. Ligue 153 para a Guarda Municipal. Sua identidade será preservada. Diga não à Pichação e ajude a manter a beleza da nossa Curitiba. Iniciativa da Associação Comercial do Paraná em parceria com as polícias Militar, Civil e Guarda Municipal”.

Toque de música. Fundo de rap começa.

Música encerra.

 


[1] MaffesoliapudSpinelli(2013). SPINELLI, L.Pichação e comunicação:umcódigosemregra.Revista Logos, n. 26, 2007.

 


 

 

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